19 min read

Empresas que vendem apenas no ambiente virtual poderão, a partir de novembro, expor seus produtos em um ponto físico temporário na cidade de São Paulo. Conheça o “marketing place” E-live Center, que promete oferecer uma experiência diferenciada para quem vende e para quem compra

De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), as vendas no varejo virtual podem crescer 16% este ano e alcançar o faturamento de R$ 79,9 bilhões. Esses números têm incentivado à abertura de mais lojas online. Hoje, já são cerca de 930 mil, segundo uma pesquisa feita pelas empresas BigData Corp e PayPal Brasil.

No entanto, a medida que as vendas online avançam, cresce também a busca dos consumidores por novas experiências. A tal da multicanalidade nunca esteve tão em alta. Recentemente, a Mobly, loja de móveis e decoração que se consolidou na internet, abriu seu primeiro ponto físico com o intuito de oferecer experiência sensorial e se aproximar de seus clientes.

A aposta tem despertado a curiosidade dos consumidores. Em pouco mais de um mês, mais de 36 mil pessoas foram ao local, 40% acima do esperado. Mas nem todas que estão na rede podem se dar ao luxo de abrir seu próprio ponto físico e ganhar mais força no mercado.

“É um investimento alto para quem fatura R$ 2 milhões ou R$ 4 milhões por ano. Uma loja de 20 metros quadrados em um shopping paulista, por exemplo, custa cerca de R$ 150 mil por mês”, comenta o publicitário e empreendedor Renato Loes.

Visionário e inquieto, Loes estudou este mercado durante quatro anos. Ansiava em criar um negócio inovador e que pudesse ajudar marcas virtuais a atender o consumidor omnichannel, que hoje quer ser atendido (e surpreendido) no ambiente online e no físico.

De olho nessas mudanças, a partir da primeira quinzena de novembro, Loes trará para o mercado físico um conceito inusitado e, segundo ele, único no Brasil, quiçá, no mundo: o primeiro “marketing place”. Trata-se da E-live Center, uma galeria que promoverá a exposição de produtos de e-commerces dos mais diversos segmentos.

Na prática, o espaço de 800 metros quadrados, localizado no shopping Parque da Cidade, em São Paulo, servirá de palco para 15 lojas virtuais, que irão expor seus itens durante três meses. O ciclo pode ser renovado por mais três meses, se a marca mudar a coleção e o layout de sua vitrine física.

“É um período estratégico. Se for menos tempo, não dá para medir resultados; se for mais tempo, se torna uma loja convencional. E esse não é o propósito”, diz o empreendedor.

A mescla do digital e do físico estará presente também no momento da compra: a galeria não terá estoque e, portanto, a pessoa só receberá o item adquirido em casa. O cliente que se interessar pelo produto exposto tem de comprá-lo no endereço virtual do varejista. Para incentivar a compra, haverá tablets e QR Codes nas etiquetas que direcionarão o comprador ao carrinho virtual.

Laboratório e economia

Segundo Loes, a ideia é oferecer produtos diferentes aos consumidores e, ao mesmo tempo, servir como uma espécie de laboratório para a marca virtual que pensa em expandir sua operação.

“Ela irá testar sua atuação para ver se, de fato, compensa abrir um ponto físico. Queremos que esse lojista abra sua própria loja, pois hoje não basta estar apenas em um canal.” Além de ganhar exposição no mercado físico, a economia promete ser um grande chamariz para o varejista que adere ao ciclo da E-live Center.

Diferentemente do que ocorre no modo convencional, o lojista não tem amarras contratuais e pagará um valor fixo no pacote de três meses, que fica em torno de R$ 90 mil para usufruir de um espaço de 20 metros quadrados – cinco vezes menos se comparado ao valor mensal de uma loja própria em um shopping da capital paulista.

Projeto da galeria E-live Center, que abrigará 15 e-commerces em ciclos de três meses

Quanto as expectativas de vendas, Loes não projeta números, mas não tem dúvida de que a experiência poderá surpreender os varejistas, uma vez que estima que nos seis primeiros meses de operação passem mais de 20 mil pessoas por dia. O faturamento do E-live Center, segundo o empreendedor, virá unicamente das locações e não terá participação sobre as vendas.

Se entre 2015 e 2017 mais de 226 mil lojas físicas encerram suas operações no Brasil, a necessidade de garantir a multicanalidade pode ser o motor que faltava para este setor voltar a prosperar. Em 2018, o comércio varejista começou a avançar novamente: 2,3% em relação a 2017, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o melhor resultado desde 2013.

“Houve um ciclo de ajustes importantes no período de crise. As empresas fizeram uma lição de casa fundamental e, agora, estudam mais antes de expandir. Hoje, não há um fenômeno de fechamento em massa de lojas. Pelo contrário. As marcas saudáveis e bem posicionadas querem abrir pontos e voltar a crescer”, analisa Alberto Serrentino, consultor de varejo da Varese Retail.

Experiências diferenciadas

O amplo espaço da E-live Center comportará ainda lounges, que servirão como uma espécie de prévia – ou, como Loes costuma dizer, “degustação” de produtos e serviços. Com o apoio de tecnologias como realidade aumentada, video mapping e vitrine interativa, o céu é o limite.

“Se for uma rede hoteleira, por exemplo, há a possibilidade de ‘transportar’ a pessoa ao ambiente, como se ela estivesse mesmo desfrutando da piscina; ou, se for uma loja de roupas, a vitrine interativa servirá como provador, de modo que o cliente poderá ter uma ideia de como cairá aquela peça”, explica. “A experiência tende a empolgar o consumidor a fazer a compra.”

Até o mês de agosto, mais de sete e-commerces já garantiram sua participação no ciclo de estreia da E-live Center. Seus nomes, no entanto, são guardados a sete chaves.

Além de Renato Loes, que também está por trás da agência Mar Comunicação, fazem parte da sociedade os profissionais de publicidade e marketing Ruy Linderberg e Sylvia Ferrari; o antigo CEO do Grupo Sonda, José Barral; e o ex-economista-chefe do banco Santander, André Loes.

“Não digo que esse modelo é exatamente o futuro do varejo. Mas, certamente, já não existe mais algo só digital ou unicamente físico. A multicanalidade é a palavra-chave daqui para frente”, diz.

E você, como enxerga o futuro do varejo?

(Matéria publicada em agosto de 2019).

Fique atualizado com todos os nossos conteúdos

Redação Autor

Equipe responsável pela produção de matérias, artigos e curadoria de conteúdos e estudos sobre o universo digital.

Deixe um comentário