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Startups que visam otimizar serviços e operações do sistema financeiro vêm ganhando cada vez mais espaço no País – em especial as que oferecem soluções para pequenas empresas. Veja quais são as estratégias da TrustHub para liderar este mercado

Berço de companhias como Apple, Facebook e Google, o Vale do Silício, na Califórnia, tem servido de espelho para mercados que almejam, um dia, alcançar o mesmo prestígio da famosa região americana. O Brasil é, sem dúvida, um deles. Aqui, lançamos diversas startups e fintechs, que têm garantido ao País mais visibilidade e competitividade.

No quesito soluções financeiras, três delas têm se destacado: Nubank, Stone e PagSeguro ganharam o título de unicórnio e, agora, figuram entre a cobiçada lista de startups que valem mais de US$ 1 bilhão. Inclusive, as duas últimas têm alçado voos mais altos. Elas chegaram à bolsa americana Nasdaq no ano passado, levantando US$ 1,5 bilhão e US$ 2,7 bilhões, respectivamente.

O sucesso das fintechs nada mais é do que o reflexo do comportamento do atual consumidor. Segundo a pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2018, as movimentações financeiras via canais digitais pularam de 4,4 bilhões em 2016 para 5,3 bilhões em 2017.

Prova que o brasileiro tem dado preferência às operações eletrônicas ao manuseio do dinheiro em espécie. Em volume de transações, a redução nos saques nas agências e postos de atendimento bancário (PABs) foi de quase 40 bilhões em 2017.

Case Nubank

Dona dos cartões roxos, a Nubank alcançou a marca de 4 milhões de contas abertas. Foto: CWS

Logo, é natural que seja crescente o número de empreendedores que apostam nesse mercado: das 422 fintechs que operam no Brasil, 114 atuam em meios de pagamento – o que significa que uma em quatro é deste segmento, segundo dados do banco BTG Pactual.

“A expansão dos meios eletrônicos de pagamento em todas as regiões continua ocorrendo de forma expressiva, incentivada pelos investimentos do setor em aceitação, inovação, criação de novos produtos e serviços e, também, pela mudança de hábito do consumidor”, afirma Fernando Chacon, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

Tecnologia em foco

Outra empresa que tem se destacado nesse mercado é a TrustHub, a fintech da companhia SRM, gestora brasileira de fundos de recebíveis que gerou R$ 8 bilhões em créditos em 2018.

Operando desde 2017, a TrustHub impulsionou o crescimento do grupo em 80% na originação de crédito em 2018, de acordo com dados da companhia. Este ano, o volume deve atingir R$ 12 bilhões.

Na “receita” para o avanço, estão três ingredientes-chave: as micro, pequenas e médias empresas. “A Trust nasceu para oferecer agilidade financeira para MPME. Transformamos dinheiro futuro em dinheiro presente através de antecipação de duplicatas e empréstimos, tudo gerenciado por meio da conta de pagamento digital, de forma rápida e sem burocracia”, explica o presidente da fintech, Marcos Rafael Mansur.

A estratégia da companhia de Mansur tem tudo para dar certo, já que ela ataca diretamente a dor de quem tem movimentado as fintechs no País: os empreendedores que faturam até R$ 4,8 milhões ao ano. Afinal, eles buscam o oposto do que encontram em grandes instituições financeiras, menos burocracia e baixos custos operacionais.

Esse público já representa 39,1% da carteira de clientes das 177 fintechs analisadas pelo Sebrae em parceria com a Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs).

“A tecnologia nos permite construir e entregar rapidamente produtos e serviços disruptivos, com o propósito de ajudar as empresas a viabilizarem os seus negócios”, acrescenta Mansur.

Segundo o executivo, na prática, a conta de pagamento digital unifica as operações financeiras das empresas, garantindo toda a autonomia necessária para avançar, já que elas têm acesso fácil aos extratos consolidados, pagamentos, depósitos e transferências.

A fintech também oferece cartão de crédito pré-pago, para controle das despesas corporativas, e a maquininha de pagamentos TrustPay, que fornece crédito em dobro e integra o comando dos negócios. Ela, inclusive, é o grande diferencial da companhia em relação aos outros players, já que o lojista pode receber duas vezes o volume comercializado. “Agilizamos a antecipação de recebíveis para empresas de diversos segmentos, como comércios, indústrias e serviços”, comenta.

Mais ferramentais digitais

Entre as tecnologias usadas pela TrustHub, destacam-se big data e inteligência artificial. Mas, segundo Mansur, há ainda muito caminho a percorrer tratando-se do universo digital. No entanto, há uma barreira mais preocupante.

“Ainda temos na cadeia produtiva financeira muitos órgãos reguladores e players diversos que não estão acostumados a acatar novidades ou inovações na velocidade ideal. Existem dificuldades e obstáculos para permitir uma transformação digital end-to-end”, opina.

Apesar do entrave, para Mansur, o avanço é inevitável – e não vai tardar tanto assim. “Em cinco anos, imaginamos o setor com um volume maior de players digitais já consolidados, e com serviços fazendo uso de tecnologias disruptivas”, analisa.

E a TrustHub já está se preparando para se tornar ainda mais competitiva nesse futuro cenário. “Soluções inovadoras de interface, tais como chatbots transacionais e ferramentas de inteligência artificial no processo de onboarding de novos clientes, são alguns exemplos de tecnologias que serão implementadas”, adianta.

Se depender do otimismo e do preparo, essas soluções colocarão a fintech em uma privilegiada posição no mercado. “Queremos ser a maior provedora de serviços financeiros digitais para o mercado latino-americano, com foco nas pequenas empresas”, diz. Será a próxima a figurar entre os unicórnios brasileiros? Só nos resta esperar.

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