14 min read

Grandes nomes da indústria comentam sobre o poder da digitalização e a importância de novas ferramentas e funcionalidades no setor

A tecnologia, aos poucos, vem tomando o campo das mais diferentes maneiras. Maquinários sofisticados e inovações na colheita à parte, a compra de insumos agrícolas e a comunicação entre o produtor rural e o vendedor também têm se destacado através de novas soluções – ainda mais, em tempos de Covid-19.

“O digital está sendo um facilitador no relacionamento com os canais de distribuição no geral, principalmente no cenário atual de pandemia. Os canais virtuais de distribuição são extremamente importantes para que o agronegócio não pare, para que produtor possa continuar comprando seus insumos de forma segura”, comenta Douglas Ribeiro, diretor de marketing da Corteva Agriscience.

Mas, mesmo antes da crise do coronavírus, o apetite do produtor por soluções digitais já se mostrava grande. Segundo o estudo “A mente do agricultor brasileiro na era digital”, feito pela consultoria americana McKinsey, 71% deles já utilizavam diariamente canais digitais para buscar informações e solucionar questões relacionadas à fazenda.

“A digitalização no agronegócio é uma tendência consolidada que a cada dia faz mais parte da realidade do produtor brasileiro, seja em serviços técnicos, de gestão ou na compra de insumos. Os ganhos em termos de produtividade e sustentabilidade fortalecerão ainda mais o papel desses produtores na agricultura brasileira”, opina Thiago Junqueira, diretor de experiência com o cliente da divisão agrícola da Bayer.

Conectividade em alta no campo

Embora práticas digitais estejam avançando no agronegócio, a conectividade ainda é um desafio num país tão continental como o Brasil, sobretudo, em cidades interioranas. Mas, felizmente, apesar desse cenário, o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que o acesso à internet no campo teve um avanço de 1900% nos últimos anos. Hoje, mais de 1,43 milhão de produtores rurais já estão conectados.

E, à medida que a conectividade aumenta, o interesse pelas compras digitais, também. O mesmo estudo da McKinsey revelou que, para as próximas duas safras, 33% dos agricultores estão dispostos a fazer seus pedidos digitalmente, mostrando a necessidade de redes de distribuição aderirem às vendas online e o relacionamento digital.

Caminho sem volta no agronegócio

Estratégias para atrair mais vendas digitais fazem parte de um movimento natural neste mercado, segundo o executivo da Corteva Agriscience, que acredita que, em poucos anos, todas as vertentes do setor estarão mais digitalizadas e integradas.

“Está acontecendo uma transformação no perfil dos produtores, que passa a ser cada vez mais jovem e aberto a mudanças, o que impacta diretamente no avanço das atividades do campo no cenário digital”, complementa Douglas Ribeiro.

Digital no agro

Se os pedidos, agora, podem ser feitos através da ponta dos dedos, o relacionamento entre o produtor e o vendedor também está a um clique de distância. Pelo smartphone, o agricultor não tem mais a necessidade de perder tempo ligando para um consultor e, muitas vezes, deixar o campo para obter informações. Em trocas de mensagens por aplicativos, o relacionamento tem melhorado.

Para Gustavo Schaper, head de operações da Syngenta Digital Brasil, a velocidade da comunicação está muito mais intensificada. “Além dos dados mais precisos, os sistemas digitais permitem uma troca de informações muito mais rápida, resultando em ações mais ágeis e eficientes para enfrentar problemas. Novas funcionalidades possibilitam a troca de informações por outros canais de comunicação”, afirma.

A transformação é agora

A digitalização tem se mostrado como um dos pilares mais promissores do agronegócio mundial. Não há dúvida de que as novas soluções e ferramentas usadas no campo têm o poder de aumentar a produtividade e facilitar o cotidiano de produtores rurais, abrindo novas portas para redes de distribuição e o setor, como um todo. Até 2025, novas tecnologias prometem dominar o mercado.

“Com o rápido avanço e o enorme potencial do mercado de agricultura digital no Brasil, em cinco anos veremos um salto grande em relação à disseminação de ferramentas com base na inteligência artificial e IoT (internet das coisas)”, prevê Schaper.

O aumento do uso das tecnologias digitais, segundo o executivo, não significa a diminuição da mão de obra, que continua sendo essencial para qualquer prática agrícola. “Pelo contrário, essas soluções vêm para simplificar e qualificar ainda mais as atividades de quem trabalha no campo.”

Almir Araújo, diretor de digital, novos modelos de negócio & excelência comercial da BASF na América Latina, concorda. Para ele, a digitalização oferece grandes oportunidades para promover uma agricultura eficiente, bem como o potencial de atingir muitos agricultores para aumentar o conhecimento e a conscientização sobre a sustentabilidade na fazenda.

“Há uma notável revolução no mercado das agfintechs: junção de juros baixos, com inovação no ambiente regulatório e a própria digitalização, que trouxeram uma transparência para toda a cadeia. Tudo isso nos mostra o acesso ao crédito do produtor mudando brutalmente e sendo muito mais democratizado. Com isso, o agricultor poderá escolher desde qual tecnologia que vai utilizar, até quais insumos e onde realizará a compra deles”, afirma.

Com o uso cada vez maior de tecnologias, o setor agro só tem a crescer. “Esse salto da digitalização trouxe um grande impacto positivo para todo o segmento, expandindo oportunidades, abrindo novas frentes e permitindo novas gerações de serviços”, diz Gustavo Schaper, da Syngenta Digital Brasil. Pela expectativa do mercado, o clima está favorável para boas colheitas no campo digital.

Gostou do texto?

Tem alguma observação ou pergunta para colaborar com a discussão?
Deixe abaixo nos comentários.

Fique atualizado com todos os nossos conteúdos