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Em um mercado que muda constantemente, a receita para o sucesso está em seguir uma rota que permita inovar continuamente. Conheça a estratégia que poderá colocar sua empresa no caminho certo

Num momento de disrupção no mundo, o grande desafio para líderes de companhias tradicionais é saber como se reinventar e adaptar seus negócios antes que seja tarde demais. Para simplificar a compreensão dos executivos na era digital, a empresa de tecnologia suíça Strategyzer criou uma espécie de guia de como eles devem inovar para chegar ao sucesso.

Entre as recomendações do estudo, intitulado como “Business Model Evolution Using the Portfolio Map” (em português, a evolução do modelo de negócio usando o mapa do portfólio), está não padronizar projetos, uma vez que cada um deles tem sua própria complexidade e risco e, portanto, precisa ser analisado e trabalhado de forma única pelos líderes e executores.

Além disso, é preciso proporcionar um ambiente para que ideias vencedoras e times capacitados se desenvolvam, em vez de despender esforço atrás de um produto ou serviço revolucionário que cause impacto logo de primeira. Tal iniciativa permitirá monitorar o progresso através de indicadores-chave (KPIs) e aumentar o investimento apenas quando as ideias apresentarem evidência de valor.

“Desenvolver competências é fundamental. Equipes alinhadas com as estratégias e antenadas com o mercado, com conhecimento e técnicas atualizadas, fazem toda a diferença nos projetos”, concorda Roberto Alonso, professor de marketing da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Mapa do portfólio de negócios

O estudo recomenda que as empresas separem seus projetos em dois portfólios diferentes, a fim de ter um panorama geral do processo e um mapa mais amplo da assertividade de cada iniciativa.

O primeiro deles diz respeito à explorar e descobrir. Projetos que estão em fase inicial tem foco em crescimento, filosofia voltada para o estilo venture capital, cultura e processos destinados à pesquisa, experimentação e falhas. É importante contar com profissionais que tenham capacidade de explorar, reconhecer padrões e uma visão global do negócio. Este mapa é muito parecido com processos vistos em startups.

Já o segundo é voltado à explorar e aproveitar. São iniciativas que já estão na fase de execução e melhoria. Nesse degrau, o foco é a eficiência (redução de custos e despesas) e a filosofia de investimento é mais parecida com a de mercado de ações. Além disso, os processos de execução visam a escalabilidade. Aqui, errar não é mais uma opção.

Portfolio evolution

Uma das maiores companhias do planeta hoje, a Amazon, executa um modelo semelhante em sua operação. O CEO, Jeff Bezos, já disse em entrevistas que “já inventaram muitas coisas que os clientes nem ligavam” e que “não há como inovar e ser pioneira se não puder aceitar falhas”.

Em um vídeo apresentado no evento Lean Startup Week, Alex Osterwalder, um dos autores do estudo do mapa do portfólio de negócios, diz que apesar da companhia de Bezos ter inventado muitas coisas com as quais os clientes não se importam, ela sabe que a experimentação foi fundamental para desenvolver bons projetos.

“A razão pela qual a Amazon pode fazer isso é porque eles implementaram um sistema que permite inovar continuamente. Existem poucas empresas que sabem trabalhar assim”, afirma Alex em um trecho do vídeo. Ele ressalta que “companhias que são guiadas por esse conceito e entendem onde estão posicionadas, se tornam invencíveis”.

Colocar essas etapas em prática, no entanto, não é uma das tarefas mais fáceis para os líderes atualmente, uma vez que muitas empresas têm dificuldade em inovar. Soma-se a isso, o fato de tratar iniciativas inovadoras como se fossem projetos maduros, prontos para execução, esquecendo que é necessário passar pela fase de testes e experimentação para, assim, validar uma proposta de valor escalável para o mercado.

“A cultura da inovação ainda sofre muita resistência nas companhias mais tradicionais e, por isso, elas correm mais perigo de serem substituídas, principalmente por startups, que já nascem digitais e oferecendo experiência e serviços melhores aos clientes”, alerta Edson Germano, professor dos cursos de tecnologia da FIA Business School.

Mirar o futuro, mas não esquecer do presente

O atual cenário de negócios exige a reinvenção constante, pois novos serviços e produtos surgem e expiram a todo momento. A inovação não para e, portanto, é preciso olhar para frente, mas explorando e aprimorando os modelos presentes.

Jeff Bezos também já disse que “se uma empresa deseja inovar, ela precisa ter a orientação adequada”. Na prática, refere-se a olhar a companhia como um todo, identificando as fases que os projetos se encontram para alocá-los no portfólio adequado.

“Basicamente, esse mix ajudará a entender se a empresa está pronta para o futuro. Qualquer companhia que não compreenda isso se tornará descartável no século XXI”, reforçou Osterwalder. 

Uma visão holística de como esses dois portfólios se relacionam vai auxiliar a companhia a identificar se, de fato, ela está preparada para a disrupção, em que fase da inovação está e se corre o risco de ficar para trás. Tê-los como guia é a melhor maneira para chegar ao sucesso.

E você, como analisa, hoje, as estratégias da sua empresa?

Redação Autor

Equipe responsável pela produção de matérias, artigos e curadoria de conteúdos e estudos sobre o universo digital.

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Um comentário

  • Avatar Vinicius Dias disse:

    Na maioria dos casos, especialmente nas grandes empresas, o conflito entre inovar e gerar caixa é o principal responsável pele bloqueio à evolução. Grandes grupos, com executivos experientes e conselhos de administração profissionais, conseguem perceber de forma clara que o comportamento do consumidor está mudando em virtude das mudanças tecnológicas. No entanto a necessidade de se obedecer uma obsessão por se aprovar somente projetos com orçamentos definidos e previsão de geração de caixa planejado, coloca executivos e gerentes contra a parede caso a primeira ou segunda tentativa não tenha o sucesso previsto. Sinto pelas empresas ainda presas nessa caverna de conceitos. A maioria das empresas não perceberam que a conta ainda é muito favorável: pouco investimento em explorar inovações com potencial de gerar efeitos extraordinários que podem mudar a realidade da organização. O tempo está sendo amigo daqueles acionistas e executivos que procrastinam ou negam a realidade. Até quando os consumidores irão ser tão gentis com os executivos e continuar tolerando voltar no tempo para conseguir consumir produtos e serviços?

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