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A empresa holandesa CargoSnap chega com a missão de dar fim a um problema recorrente no setor logístico: danos nas mercadorias. Veja como a tecnologia tem ajudado na transparência de processos e minimizado riscos

Você faz uma compra pela internet esperando que o produto chegue em perfeitas condições. Ele não chega. A frustração se transforma em uma baita dor de cabeça. Do lado da transportadora, além do desgaste, vem o prejuízo, já que é difícil atribuir a culpa pelos danos dentro da cadeia logística.

Esse tipo de situação é mais comum do que se imagina. As avarias representam a segunda maior incidência de sinistros na área de seguros no transporte brasileiro, atrás apenas de roubo de cargas.

Para driblar essa questão, a insurtech holandesa CargoSnap chega ao País com uma solução em nuvem que permite o compartilhamento e armazenamento de imagens, em tempo real, por até três anos.

O serviço também se estende ao aplicativo, uma espécie de “Instagram das entregas”, podendo ser adotado nos transportes rodoviário, ferroviário e marítimo.

Rede social

Prevenir é o melhor remédio: a plataforma reúne informações em cada etapa do processo logístico. Imagem: divulgação.

Idealizada no final de 2016, foi só no ano seguinte que o brasileiro Daniel Lins e seu sócio, o holandês Marcel Merkx, colocaram a solução à disposição do mercado europeu. “Há uma questão recorrente neste setor, que é a falta de evidências dos processos de transferência de responsabilidade dentro da cadeia de supply chain”, explica Lins.

Desde janeiro deste ano no Brasil, já são mais de 20 empresas que utilizam o sistema; no exterior, mais 70 distribuídas em 18 países da Europa, América do Norte e Índia. “São companhias de todos os portes, com foco principalmente nos embarcadores de cargas, prestadores de serviço do setor logístico, como transportadoras, armazéns e operadores multimodais.”

A aposta no País, no entanto, não foi por acaso, uma vez que o comércio de mercadorias tem avançado. De acordo com o Ministério da Economia, o saldo da balança comercial foi de US$ 58,3 bilhões em 2018 – o segundo maior desempenho desde 1989.

No ano passado, também, as exportações subiram 9,6%, com US$ 239,5 bilhões em vendas, representando nível mais alto dos últimos cinco anos. “O Brasil é a oitava maior economia do mundo, com dimensões continentais e um oceano de oportunidades. Não tem razão para não estarmos neste mercado”, diz Lins.

Dados da mercadoria em tempo real

A principal tecnologia por trás da solução é a Mobile & Cloud Service, a qual habilita o celular ou outro dispositivo móvel a ser usado como uma espécie de coletor de dados, capaz de digitalizar inspeções em todas as etapas do transporte de carga: desde o armazenamento e a carga no veículo, até a descarga no local de entrega.

A plataforma em nuvem recebe esses arquivos e os organiza como uma timeline de uma rede social – por isso a analogia com o Instagram. “Nesse ambiente, compartilhamos os resultados das inspeções das cargas”, afirma Lins.

A grande vantagem está na impossibilidade de fraudar ou modificar o patamar de segurança, isso porque outra tecnologia adotada é o blockchain, conhecida por ser à prova de violação. “É uma garantia de que as inspeções não conseguem ser alteradas”, comenta.

Na prática, as seguradoras diminuem o número de sinistros, enquanto para os segurados e embarcadores, a ferramenta traz mais transparência. Os inspetores de carga, por sua vez, ganham mais agilidade. “O trabalho deles é todo manual, então ajudamos a trazer uma maior produtividade ao dia a dia. Assim, eles conseguem otimizar o processo de inspeção e emissão de relatórios.”

Desde o início da operação, já foram feitos mais de um milhão e meio de registros em mais de 200 mil inspeções. Desse total, 60% já representam o mercado brasileiro. Até 2020, a expectativa é atingir dois mil clientes no mundo.

Operando através de licenças, a mensalidade não altera de acordo com o uso. Por R$ 1,5 mil, a empresa contratante pode habilitar dez dispositivos e não tem limite de captação de dados, como vídeos, imagens, documentos e formulários digitais. “Oferecemos o modelo de escalonamento regressivo para cobrar o serviço de uma companhia que quiser adquirir a partir de 30 dispositivos para usar o sistema”, diz Lins.

Para Luiz Antônio Rêgo, vice-presidente de Equipamentos, Sistemas Logísticos e de Informação da Associação Brasileira de Logística (Abralog), felizmente, os investimentos atualmente são bem menos onerosos que no passado.

“A tecnologia fica a cada dia mais barata”, opina. “Houve uma drástica redução da necessidade de investimento com recursos de CAPEX, passando a se utilizar OPEX, já que os softwares ofertados dessa maneira são custos operacionais e não mais ativos. Vivemos a Era 4.0, onde todos somos compelidos ao uso extensivo de tecnologia”, analisa.

Menos incidências, mais confiança

As compras virtuais vêm crescendo a cada ano. A previsão para este é de aumento de 16% em relação a 2018, de acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), chegando a R$ 79,9 bilhões.

Comércio mais eletrônico

Fonte: ABComm

Com mais produtos em trânsito, a prevenção pode ser, de fato, uma boa estratégia. “Temos casos registrados onde reduzimos em 18% as incidências com avarias nos transportes. Isso impacta diretamente nos custos das transportadoras”, revela Daniel Lins.

Hoje, é pré-requisito adotar tecnologias na operação logística, de acordo com Luiz Antônio. “O uso agrega diversos ganhos e benefícios, como a forte redução de custos, otimização de processos, melhora a comunicação, aumenta a produtividade e propicia maior acesso à dados”, elenca. “Quanto mais uma empresa investe em tecnologia e mais complexas são suas necessidades, maiores são os ganhos.”

Com iniciativas digitais em ascensão, em médio prazo, Luiz Antônio vislumbra um setor logístico com mais soluções IoT (Internet das Coisas) e realidade aumentada, além do uso mais recorrente de Big Data, uma vez que a quantidade de dados tratados será muito maior. “Até 2022, o mercado estará vigoroso e poderá oferecer ações ainda mais adequadas às necessidades e à realidade dos clientes”, prevê.

Num cenário em constante evolução, acompanhar as mudanças se torna fundamental. “A tecnologia é a nossa bússola, sendo assim, é provável que nos adaptemos às transformações e surgimento de novas iniciativas. É preciso se adequar a tudo”, finaliza Daniel Lins.

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