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Num mundo cada vez mais tecnológico, situações que eram consideradas inimagináveis já começam a fazer parte do nosso dia a dia. Com a inteligência artificial é possível morar em uma casa conectada, ter um carro autônomo na garagem e usufruir dos serviços de um robô – que pode ser hiper-realista, se você quiser

Ao assistir um dos episódios da série Black Mirror, disponível pela Netflix, o telespectador é remetido a um futuro distante, pouco provável para quem ainda vive no século XXI.

A tecnologia é a grande protagonista dos capítulos da prestigiada ficção, transcendendo todas as limitações e criatividade do ser humano.

No entanto, o que parecia ser coisa de outro mundo já começa a se misturar com a nossa realidade – muito antes do imaginado.

Em 2014, a série apresentou uma casa totalmente conectada, onde era viável, através de mecanismos digitais, simplificar ações rotineiras, como preparar uma receita, por exemplo, sem intervenção humana. As emoções do morador também eram captadas por um tablet. Sendo assim, o aparato poderia sugerir receitas de acordo com o humor da pessoa.

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Sem transformação, não há evolução

Se, para você, parece impossível existir um aparelho que compreende exatamente as emoções sentidas, para um grupo de cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), não.

Em 2016, os estudiosos lançaram o EQ-Radio (assista ao vídeo), que apresenta inteligência semelhante à usada na série, onde é absolutamente possível determinar o sentimento de uma pessoa.

O aparato capta as frequências cardíacas e respiratórias e, dessa forma, consegue determinar como o usuário se sente no momento. O grupo por trás da engenhoca garante confiabilidade de 87% do sistema.

Dirigir é (quase) coisa do passado

Que tal colocar o endereço de destino, entrar em um carro, não se preocupar em dirigir e otimizar o tempo perdido no trânsito trabalhando ou assistindo à sua série preferida?

Os aplicativos de transporte podem até oferecer as mesmas comodidades, mas a privacidade e a liberdade dos carros autônomos são incontestáveis.

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Tecnologia para crescer

E, ao que tudo indica, eles estarão mais próximos em, no máximo, dois anos – pelo menos em mercados internacionais. Nesse período, diversas marcas pretendem colocá-los nas ruas para testes, principalmente, em serviços de compartilhamento.

Embora a produção em massa ainda não tenha data definida, sobretudo no Brasil, esses carros serão muito mais vistos e, em poucos anos, mais acessíveis aos consumidores.

Mundo em transformação

Fabrício Cardoso, da EY, Foto: Duda Bairros

“Ainda existe um estrada longa para os autônomos no Brasil, por conta da infraestrutura, mas, sem dúvida, eles irão ganhar espaço também em mercados emergentes”, diz Fabrício Cardoso, sócio da consultoria EY.

… Os robôs hiper-realistas estão chegando!

Em outro episódio do Black Mirror robôs são retratados de forma inusitada. Após perder o marido, uma viúva decide trazê-lo novamente à vida através de um boneco com suas mesmas características físicas, gestos e frases de costume.

No mundo real, o designer gráfico Rick Ma programou sua criação, batizada de Mark 1, para falar, gesticular e até piscar. Ele não assume, mas as semelhanças entre o robô e a atriz americana Scarlett Johansson são indiscutíveis.

Mark 1

O designer Rick Ma e sua criação. Foto: REUTERS/Bobby Yip

Apaixonado por robótica, o designer desembolsou cerca de US$ 51 mil para dar vida ao Mark 1, além de gastar horas em estudos em eletromecânica, programação e técnicas para aplicação de pele de silicone. Já a sustentação fica por conta de um esqueleto feito em impressora 3D.

Surreal ou não, esse pode ser um campo promissor, já que 25% dos jovens namorariam um androide, se fosse impossível notar a diferença.

Será que esse é o início de um novo mercado? Para Fabrício Cardoso, pode ser, sim. “Até 2022, teremos um grande avanço em tecnologias, incluindo a adoção de robótica, que deve estar mais forte e consolidada. Ainda que exista um processo longo para ganhar escala, o movimento já começou”, opina.

Novos mercados e negócios

Os exemplos citados foram só alguns de outros tantos apresentados na série Black Mirror que já começam a se tornar realidade no mundo.

A maior conectividade de aparelhos domésticos, como mostrado em um dos episódios, tem tornado tangível as chamadas “casas inteligentes”.

E essas tecnologias capazes de nos brindar com tanta inovação prometem ganhar força nos próximos seis anos. Segundo dados da empresa de pesquisas Transparency Market Research, o setor deverá movimentar US$ 90 bilhões em 2025.

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De olho no mercado, até quem não faz parte desse tipo de negócio se prepara para a estreia. É o caso da quarta maior fabricante de smartphones do mundo, a chinesa Xiaomi.

Ela está investindo cerca de US$ 1,5 bilhão para engrossar o mercado de casas conectadas. “Vemos um futuro no qual todos os dispositivos domésticos serão conectados à internet e controlados pela voz”, disse em comunicado Lei Jun, CEO da companhia. “Uma onda de eletrodomésticos será substituída por dispositivos inteligentes”, adiantou.

Foco no consumidor

As novas tecnologias surgem para suprir as necessidades da atual geração (e das próximas) que está cada vez mais dependente de ferramentas e funcionalidades digitais. O “imediatismo” é a palavra de ordem do momento. No varejo, igualmente.

Até 2020, espera-se que 80% das compras sejam feitas sem nenhum tipo de interação humana no processo de aquisição.

Segundo Fabrício Cardoso, empresas que investem em tecnologia pensando em atender os novos consumidores têm ganhos garantidos. “Companhias que estão avançando em transformação digital têm funcionários mais engajados, fidelizam clientes e melhoram o valuation, como um todo”, afirma. “A tecnologia oferece oportunidades de crescimento e de mudanças para todos”, diz. Não só na ficção.

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