Carlos Fernando Café, diretor de produtos do PagBank PagSeguro, comenta sobre o mercado de pagamentos, a evolução de produtos e serviços, e os planos da empresa para levar ainda mais soluções disruptivas ao setor

Um dos principais players do mercado de pagamentos brasileiro, o PagSeguro surgiu em uma época em que as fintechs ainda estavam em estágio embrionário. Em 2006, quando o Grupo UOL lançou a empresa, o e-commerce brasileiro estava em seu auge, faturando, de acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), R$ 4,3 bilhões – 72% mais em relação ao ano anterior.

Como forma de atender os cerca de sete milhões de consumidores digitais da época (para efeito de comparação, hoje o Brasil tem 87,7 milhões, segundo dados da E-bit/Nielsen), o PagSeguro chegava para ofertar soluções de pagamentos para os varejistas que lançavam seus e-commerces.

Com o avanço do mercado digital, a empresa foi sofisticando ainda mais seus produtos e serviços, e, atualmente, é um dos bancos digitais mais relevantes do mercado, figurando na lista das 25 marcas mais valiosas do País. Todas as mudanças dentro da empresa foram concebidas para atender o novo consumidor.

“O mercado de pagamentos é extremamente dinâmico e está em constante evolução. Novas formas de realizar pagamentos sempre irão surgir e opções que visam aumentar a inclusão financeira e diminuir a circulação de papel-moeda são sempre bem-vindas”, diz Carlos Fernando Café, diretor de produtos do PagBank PagSeguro.

O novo e-commerce

De acordo com o executivo, o setor de pagamentos deverá acompanhar as iminentes transformações do varejo digital, como live commerce, social commerce e metacommerce. São novas formas de ofertar produtos e serviços para atender as gerações mais conectadas.

“Este é um público que tem experimentado e adotado formas não tradicionais de compras”. 

Leia a entrevista completa com Carlos Fernando Café:

CWS Insights: O que é transformação digital para você? 

Carlos Fernando Café: Uma transformação digital é uma transformação que vem para facilitar o dia a dia das pessoas, tornando processos mais fáceis e eficientes e proporcionando uma melhor experiência.

CWS Insights: Como essa transformação tem atuado no setor de pagamentos? 

Carlos Fernando Café: Percebemos algumas transformações, como a migração de transações em dinheiro para os meios eletrônicos de pagamento, sejam eles cartões de crédito e débito, Pix ou carteiras e bancos digitais; transações online e digitais com crescimento exponencial. Observamos uma aceleração no consumo online, seja ele por meio do e-commerce “tradicional”, através das redes sociais ou por aplicativos de mensagens.

Nesta nova realidade, o varejo teve que se adaptar rapidamente e atender o consumidor em múltiplos canais. A indústria de pagamentos acompanhou esta evolução e passou a oferecer soluções que suportassem esta nova realidade. Atualmente, os varejistas têm acesso a diversas soluções de pagamento online, que vão desde link de pagamentos a APIs, integrações online e offline, soluções para social commerce e, com isso, podem atender seus clientes de forma digital.

Carlos Fernando Café, PagBank PagSeguro: “Opções que visam aumentar a inclusão financeira e diminuir a circulação de papel-moeda são sempre bem-vindas”. Foto: divulgação

E, por fim, a maior demanda por contas digitais. Os consumidores entenderam que os principais bancos digitais são mais simples, seguros e acessíveis.

CWS Insights: Em sua visão, este setor está em que fase da transformação digital?

Carlos Fernando Café: Muito já se mudou no setor, mas sempre há espaço para ainda mais transformações, trazendo cada vez mais tecnologia para os meios de pagamento. O mercado de pagamentos é extremamente dinâmico e está em constante evolução. Novas formas de realizar pagamentos sempre irão surgir e opções que visam aumentar a inclusão financeira e diminuir a circulação de papel-moeda são sempre bem-vindas.

CWS Insights: Nesse contexto, como o PagBank PagSeguro está inserido e ajudando a revolucionar o setor?

Carlos Fernando Café: Cada vez mais as pessoas utilizam os meios eletrônicos de pagamento como primeira opção de compra, reduzindo o uso de dinheiro corrente. O PagBank PagSeguro, com seu DNA tech, acompanha essa evolução para atender os clientes com soluções integradas e inovadoras e viabilizar experiências de compras únicas.

Independentemente do crescimento da economia, a indústria de pagamentos eletrônicos tem crescido muito acima do PIB no Brasil (crescimento médio do PIB em 1% a.a. em termos reais, ou 7% a.a. em termos nominais nos últimos 5 anos, enquanto a indústria de pagamentos cresceu em média 17% a.a. nesse período), e essa tendência deve persistir nos próximos anos, com o uso do cartão aumentando ainda mais sua participação no consumo das famílias.

No PagBank PagSeguro, cerca de 80% dos clientes novos que entram pelo nosso canal digital não aceitavam meios eletrônicos de pagamento antes do PagSeguro.

Nós temos uma cultura centrada na tecnologia e na inovação como forma de promover a inclusão aos meios de pagamento e serviços financeiros. Somos uma empresa focada em nossos clientes e em oferecer sempre a melhor experiência para eles.

CWS Insights: Como imagina o setor de pagamentos até 2035 no Brasil?

Carlos Fernando Café: O setor de pagamentos continuará evoluindo e acompanhando o comportamento de compra das pessoas e as necessidades dos varejistas.

Como referência dessa evolução, estima-se que, em 2030, 50% da população mundial será composta pela geração Z e Alpha (atualmente são quase 37% da população); 97% destes indivíduos são inspirados diariamente pelas mídias sociais e 30% deles já experimentaram comprar produtos utilizando realidade aumentada (AR) e realidade virtual (VR).

Esse é um público que tem experimentado e adotado formas não tradicionais de compras, como social commerce, live commerce, lojas autônomas e metacommerce.

Esses são apenas alguns dos exemplos de como o comportamento de compra tem evoluído. E, neste contexto, o setor de pagamentos continuará fundamental para que a experiência de compra seja cada vez mais simples, rápida e sem fricção, permitindo que os varejistas estejam presentes nos mundos reais e virtuais atendendo seu público de acordo com as suas preferências.

CWS Insights: Acha que, de fato, o metacommerce tem futuro no Brasil?

Carlos Fernando Café: O metaverso talvez seja a maior “aposta” de posicionamento dos varejistas em um “novo” mundo. Entretanto, vale lembrar que, atualmente, já existem diversos mundos virtuais, principalmente aqueles ligados ao ambiente dos games.

No Fortnite, por exemplo, você pode montar o seu avatar com acessórios e roupas adquiridas direto da loja virtual por meio das moedas próprias. Além das compras, shows neste ambiente são sucesso absoluto, com filas virtuais imensas para participar desses eventos.

Outro exemplo é a parceria do Roblox com a Nike que deu origem a Nikeland no ambiente do jogo. Lá, já é possível experimentar o D2A – Direct to Avatar Commerce – com produtos Nike. NFTs também fazem parte dos mundos virtuais e, para entender essa evolução, podemos ressaltar um case da Adidas, que lançou uma coleção de produtos virtuais únicos que arrecadou US$ 43 milhões em apenas três dias.

Toda essa (re)evolução nos leva a crer que sim, o metaverso é uma realidade ainda pouco explorada, que tende a crescer e evoluir, interconectando mundos e fazendo com que o físico e o digital proporcionem experiências totalmente integradas.

CWS Insights: O PagBank PagSeguro tem planos para “surfar essa onda”?

Carlos Fernando Café: Estamos olhando atentamente para a evolução desse mercado e temos planos de entrar nesse mundo, sozinhos ou com parceiros.