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Uma das principais instituições de negócios da América Latina, a Saint Paul tem ajudado a levar a educação a um novo patamar, ao despontar também fora das salas de aula. Através de um serviço digital, semelhante ao da Netflix, os usuários têm acesso à conteúdos de onde estiver – com possibilidade, inclusive, de concluir um MBA

Em meados de 2005, quando o ensino à distância (EAD) começava a se difundir no Brasil, muitas pessoas questionaram sua adesão. Com o passar dos anos, a metodologia rompeu barreiras. Agora, coloca em xeque o método convencional de ensino. “O EAD é uma tendência. Em breve, teremos 30% das matrículas nessa modalidade na rede privada”, estima William Klein, CEO da Hoper Educação.

A tendência se tornou estratégia de instituições tradicionais, que passaram a oferecer em seu catálogo de cursos mais essa opção aos alunos que, por falta de tempo ou dinheiro, preferem o computador a sala de aula. Afinal, poder estudar no momento que quiser e não ter de se deslocar até uma faculdade são excelentes atrativos. Soma-se à eles, a economia. “Em alguns cursos, o gasto pode ser até cinco vezes menor”, diz Klein.

A julgar pelos recentes números, o ensino online cresce, de fato, a um ritmo cada vez mais acelerado. De acordo com o último Censo do Ensino Superior, divulgado em 2018 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as matrículas de graduação à distância avançaram 375,2% entre 2007 e 2017. Em contrapartida, o crescimento na adesão presencial, no mesmo período, foi de 33,8%.

São dados que refletem a maior conectividade das novas gerações. Dos oito milhões de alunos matriculados em instituições de ensino, 21,2% optaram pela educação à distância.

Fonte: Censo do Ensino Superior 2018

“Nas graduações, o Brasil é um fenômeno mundial em número de estudantes matriculados na modalidade à distância. No entanto, é necessário que o aluno tenha disciplina, caso contrário, as desvantagens podem ultrapassar os benefícios”, analisa Klein.

Até a britânica Pearson, maior empresa de educação do mundo, tem investido em serviços digitais. Sua plataforma Teacherflix nasceu para formar professores e educadores através de vídeos, podcasts, textos e animações. Do lado do aluno, há também iniciativas que seguem o mesmo modelo. Uma delas, inclusive, vem se destacando no mercado educacional brasileiro.

Trata-se do LIT. Criado pela Saint Paul, uma das principais escolas de negócios da América Latina, o serviço pode ser acessado, desde 2018, em qualquer dispositivo conectado à internet – bem semelhante ao modelo da Netflix. Nele, há mais de 30 mil horas de conteúdo, oito mil livros e grupos de discussão, que conectam professores e alunos.

Apesar de o grupo não revelar o número exato de usuários conectados hoje, até abril deste ano o LIT havia crescido 40% frente aos números consolidados de 2018. A força da digitalização na educação é tamanha, que o avanço do primeiro semestre se transformou em uma nova previsão, agora na casa de três dígitos. “Cresceremos, no mínimo, 200% em 2019”, adianta José Cláudio Securato, CEO da Saint Paul Escola de Negócios.

Uma transformação (digital) no ensino

Por trás do funcionamento do LIT, há diversas tecnologias embarcadas, como sistemas de gestão de aprendizagem, transmissão e gestão de vídeos, gerenciamento da experiência dos usuários e, inclusive, o Watson, a inteligência artificial da IBM.

“Fomos os primeiros a aplicar a tecnologia em um ‘tutor’ no mundo, com o objetivo de customizar, adaptar e ensinar conteúdos complexos de negócios”, comenta Securato.

Com o suporte da tecnologia big data (coleta e processamento massivos de dados), a plataforma sugere trilhas personalizadas, ou seja, cursos para “trilhar” a chegada ao MBA, por exemplo. A inteligência garante também o descarte de matérias que, de acordo com os dados coletados, não são de interesse do usuário.

O tempo de conclusão de cada módulo depende exclusivamente do empenho do aluno. Há casos de pessoas que já cursaram o programa de MBA em menos de um ano, segundo o executivo.

Em relação à economia, citada no início, ela se comprova no serviço digital do grupo. A assinatura mensal do LIT custa R$ 129,90, enquanto um curso presencial com carga de 16 horas na Saint Paul requer investimento de, aproximadamente, R$ 3 mil.

Com o mesmo investimento, o usuário pode assinar o LIT por dois anos e cursar todas as etapas para chegar no nível de um MBA. “Nesse caso, se o aluno quiser aproveitar os créditos de MBA do LIT, basta fazer um investimento adicional de R$ 9 mil e cumprir alguns requisitos do Ministério da Educação”, acrescenta Securato. “Estamos falando de um MBA de R$ 12 mil contra um presencial de R$ 40 mil. É realmente democrático.”

LIT

José Cláudio Securato, CEO da Saint Paul: “O objetivo do LIT é democratizar o acesso à educação de qualidade”. Foto: divulgação

Ao contrário do imaginado quando lançou o LIT, a maior adesão de licenças não vem de empresas, mas, sim, de pessoas físicas. “São usuários que se conectaram pelo desejo e necessidade de aprender e de se preparar cada vez melhor”, afirma.

No radar da Saint Paul, há outros mercados. Os conteúdos do LIT ganharão versões em inglês e espanhol, para atender, num primeiro momento, países na América Latina, América do Norte e Europa. No entanto, o grupo ainda não pode detalhar a expansão internacional.

Por aqui, os internautas, de uma forma geral, têm se interessado mais por assuntos relacionados à negócios e finanças. Basta olharmos o aumento de canais no YouTube sobre o assunto. Até o Bradesco entrou na jogada. Recentemente, o segundo maior banco privado do País firmou parceria com a Saint Paul a fim de disponibilizar conteúdos gratuitos sobre educação financeira.

A partir do fim de junho, no LIT, estreia a série “Na Real”, que já tem três temporadas confirmadas. Através de vídeos, apresentações e podcasts, a parceria levará mais conhecimento sobre finanças pessoais aos internautas. “Temos que aproveitar o que a tecnologia tem de melhor para darmos acesso à informação”, diz Securato.

Em breve, mais velocidade

A Ericsson divulgou recentemente um relatório que aponta que 45% da população mundial terá acesso à rede 5G até 2024 – número superior ao previsto pela companhia em análises anteriores.

Segundo a empresa, 1,9 bilhão de dispositivos estarão ligados ao serviço em cinco anos, 27% a mais do que era esperado em outro relatório divulgado em novembro passado. A velocidade pode ser 100 vezes superior que a 4G, o que irá, inevitavelmente, contribuir com o ensino à distância e tantos outros mercados.

“Se usarmos as novas tecnologias para fazer a diferença, como democratizar o acesso à educação de qualidade, não excluindo parte da sociedade nesse processo, elas terão impacto ainda mais positivos para a humanidade”, diz. “Pelo menos, esse é o propósito do LIT.”

Nem lá nem cá

Outra estratégia da Saint Paul é apostar no formato blended (ou híbrido), no qual mescla aulas presenciais e online. Segundo o executivo, este modelo será o carro-chefe da instituição em breve. “Até 2021, todos os nossos cursos serão assim”, adianta.

E ele explica a razão. “A interação presencial dificilmente irá acabar, até porque há um grande benefício para o professor e para o aluno. Mas através do canal digital, o aluno pode se preparar para a aula presencial dentro de seu tempo e rotina, de forma que a aula em sala flua muito melhor e de maneira aprofundada”, diz Securato.

Para William Klein, essa mescla, de fato, é positiva. “As vantagens da presencialidade se somam às da semipresencial. É uma metologia interessante”, opina. O mercado educacional só tende a crescer com as novas tecnologias. E, nós, só a ganhar.

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