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Engana-se quem pensa que o único contato com a inteligência artificial ainda é através de filmes e leituras de ficção científica. Por mais que você resista, ela já faz parte da sua vida – e fará cada vez mais

A inteligência artificial (IA) está presente no seu iPhone, no sistema Windows, no aplicativo do seu banco, nas suas redes sociais e em diversas empresas que conversam diretamente com seu público-alvo.

Ela pode vir disfarçada de Siri, Cortana, BIA…mas, no fim, chega para anunciar uma grande mudança: a transformação digital já é real.

Como já antecipou o matemático britânico Irving John Good, em 1965, chegará o dia em que as máquinas estarão tão sofisticadas e aprimoradas que serão capazes de criar outras ainda melhores, superando a capacidade humana.

A tal da “singularidade”, que marcará a segunda geração da inteligência artificial, já tem data definida: 2030, de acordo com o think tank Singularity University.

A contagem regressiva nos coloca em um estado reflexivo: em vez de enxergarmos o avanço da tecnologia como uma ameaça para os negócios, que tal pensarmos como uma grande oportunidade de crescimento?

É o que sugere Pietro Delai, gerente de consultoria e pesquisa da IDC Brasil. “Você pode fechar os olhos para a transformação digital hoje e ficar para trás amanhã, ou aceitar sua importância e continuar no mercado. Muitos modelos de negócio estão nascendo com a tecnologia; enquanto muitos outros também estão morrendo”, diz.

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Segundo a IDC, até o fim deste ano os investimentos em transformação digital deverão atingir US$ 1,7 trilhão, aumento de 42% em relação a 2017. “Transformação digital é estar preparado para algo novo todos os dias”, ressalta Delai.

Bancos mais digitais

As instituições financeiras que incluíram a inteligência artificial já enxergam os bons resultados. É o caso de dois dos maiores bancos privados do País: o Itaú e o Bradesco.

Segundo o relatório financeiro do Itaú, divulgado na segunda-feira 4, a participação do digital no produto bancário subiu de 23% em 2017 para 31% em 2018; enquanto a atuação das agências físicas caíram de 77% para 69%.

No balanço de todos os meses de 2018, o digital respondeu por 19% das operações de crédito, 41% das operações de investimento e por 76% dos pagamentos do banco, totalizando em 11,1 milhões de correntistas pessoas físicas em seus canais digitais – aumento de 15,5% em relação ao ano anterior.

Somando esse número com os clientes que são pessoas jurídicas, o Itaú chega a mais de 12,2 milhões de usuários digitais. O Bradesco é outra instituição que está bem envolvida com a tecnologia.

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Em 2018, 13,9 milhões de clientes acessaram os serviços do banco pelo celular, que passou a oferecer também soluções como Apple Pay e QR Code. Sem falar, é claro, da BIA (Bradesco Inteligência Artificial), que contabilizou 73,2 milhões de interações, e passou a operar também através do WhatsApp e do Google Assistente.

Utilizando a plataforma cognitiva Watson, da IBM, a BIA é a maior implementação do Watson em banco no mundo, de acordo com relatório do Bradesco.

A mudança já começou

Para Pietro Delai, da IDC, em breve o Brasil se destacará no uso de tecnologias. Foto: divulgação

“Em poucos anos, estaremos mais ‘maduros’ no sentido tecnológico: teremos mais inteligência artificial, IoT, machine learning, blockchain e realidade virtual. Enxergo um crescimento saudável que nos colocará em uma boa posição no mundo até 2022”, antecipa Pietro Delai.

Maior eficiência operacional e mais competitividade

Essas iniciativas nos mostram que a inteligência artificial já é uma realidade e vem mudando os padrões de diversos setores da economia.

Segundo o relatório A Nova Física dos Serviços Financeiros (leia os insights na íntegra), lançado há pouco pela Deloitte em parceria com o Fórum Econômico Mundial, a tecnologia está modificando o relacionamento destas empresas com todos os seus stakeholders, alterando suas próprias estruturas.

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Os mercados já começam a observar os resultados do uso da IA para eficiência operacional e, consequentemente, sua contribuição para aumentar a competitividade.

Para Sergio Biagini, sócio-líder da indústria de serviços financeiros da Deloitte, novos modelos de negócio estão emergindo, nos quais o compartilhamento de dados é fundamental para o sucesso competitivo. “Os primeiros a fazerem esse uso se diferenciarão, oferecendo melhores serviços, por meio de uma presença constante e customizações”, comenta.

Se você está mais interessado em entender como o mundo está respondendo à tecnologia, também precisa investir em sistemas que vão permitir que o seu negócio acompanhe essas mudanças. “As empresas que permanecerem estagnadas vão acabar descobrindo que suas antigas forças podem não mantê-las tão competitivas quanto antes”, afirma Biagini.

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