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A tecnologia tem proporcionado mais autonomia às empresas brasileiras, que vêm expandindo sua forma de operação através de ferramentas próprias e de parcerias com transportadoras

A meta de toda companhia é reduzir, ao máximo, seus custos. E, tratando-se do varejo online, além da redução, inclui-se à lista de objetivos agilizar e flexibilizar as entregas. Hoje, graças à tecnologia, é possível pensar na logística de forma estratégica.

As empresas, agora, têm a autonomia para buscar parcerias com transportadoras que melhor correspondem às suas expectativas, sem ter de depender apenas de um canal, como ocorria antigamente. Conclusão: a marca pode escolher a transportadora que oferece o melhor frete e o menor tempo, flexibilizando suas entregas e, assim, montar uma estratégia mais assertiva.

Outra prática que vem se destacando nos shoppings online é a opção retirada na loja – que responde a cerca de 20% das vendas feitas pelo site da gigante Magazine Luiza, por exemplo. Nesta modalidade, o consumidor usufrui da isenção de frete e tem a possibilidade de aproveitar promoções válidas apenas virtualmente.

Diversificar o modo de entrega pode ser, de fato, uma boa alternativa para reduzir custos logísticos, que, inclusive, vêm subindo ano após ano. Segundo uma análise da Fundação Dom Cabral, empresas brasileiras gastam, em média, 12,37% do faturamento bruto com logística.

O alto custo está relacionado com questões de segurança e infraestrutura. Para nível de comparação, os Estados Unidos desembolsam 8,5% do faturamento; enquanto a China, que é referência em vendas online, 10%.

Na contramão da terceirização, a B2W, dona da Submarino, Americanas.com e Shoptime, criou a Let’s “para estabelecer uma gestão compartilhada de seus respectivos ativos de logística e distribuição”.

As novas formas de entrega vêm ofuscando a principal companhia de logística do País, os Correios. Segundo dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o e-commerce enviou 200 milhões de pacotes em 2017 no Brasil, sendo que 78% foram transportados pelos Correios. Em 2013, o percentual era de 93%.

Para garantir mais competitividade, a tecnologia tem sido a aposta da estatal brasileira. Diariamente, a empresa processa até 2,7 milhões de encomendas, que ganharam o apoio da automação para a separação. Os carteiros também estão equipados com smartphones, que os têm ajudado na entrega de produtos.

“Todos os dias são processadas três milhões de informações, possibilitando aos clientes dados em tempo real, com qualidade e agilidade. Na parte do atendimento, foram desenvolvidos aplicativos para smartphones com o objetivo de facilitar a vida dos clientes, entre eles o Pré-Atendimento e o Correios Celular”, diz a assessoria de imprensa dos Correios.

O primeiro, segundo eles, agiliza a pré-postagem de encomendas nacionais, reduzindo o tempo de atendimento presencial nas agências; enquanto o segundo permite que o cliente realize recarga, portabilidade da linha, consulte saldo, além de obter histórico de recarga, de consumo de dados, de voz e de SMS.

De acordo com os Correios, a companhia está aberta ao avanço de tecnologias e estuda planos mais ousados em suas operações – e não descarta, inclusive, o uso de drones. “Certamente um ponto que será analisado é a entrega via drone, assim como a utilização de veículos autônomos e o uso de combustível alternativo, além de um maior grau de robotização.”

Das ruas às estradas

A tecnologia tem conectado, cada vez mais, motoristas de transportes, empresas e clientes finais, o que tem garantido mais eficiência e agilidade; economia para marcas, que podem comparar frete e otimizar entregas; e maior controle para usuários, que conseguem rastrear seus pedidos.

Quando pensamos em app de transporte, a Uber é a primeira que nos vem à cabeça. Nos Estados Unidos, ela também disponibiliza um aplicativo exclusivo para caminhoneiros, o Uber Freigth. Ele conecta motoristas de caminhões de carga com empresas ou pessoas físicas que precisam levar um produto de um ponto ao outro.

Por aqui, além do transporte convencional de passageiros, a companhia lançou o Uber Eats, de entrega de refeições. Assim como ela desponta no mundo com suas ações eficientes, outras também têm alcançado seu lugar ao sol seguindo a mesma receita.

Atualmente, há várias que atuam com caminhoneiros e motofretistas, como as brasileiras Loggi, Intelipost e CargoX. Criada em 2013, nosso sistema deficitário e o maior interesse dos brasileiros por tecnologia chamaram a atenção do empreendedor francês Fabien Mendez, da Loggi.

“Esse conjunto de fatores criou o cenário perfeito para o desenvolvimento de um negócio disruptivo, que une tecnologia de ponta com qualidade de serviços, para oferecer uma experiência única em entregas”, explica Mendez.

Fabien Mendez, da Loggi: “Temos planos para operar em todas as capitais do Brasil”. Foto: divulgação.

Ao lado do sócio Arthur Debert, Mendez comanda uma das principais operações de logística no País: já são 12 mil motofretistas que atendem clientes como Dafiti e Amazon. Para dar ainda mais fôlego à operação, a Loggi recebeu aporte de R$ 400 milhões da multinacional japonesa SoftBank no fim do ano passado.

O investimento será aplicado no desenvolvimento de novas tecnologias, através do reforço de mais especialistas e engenheiros renomados no mercado. “Temos planos para operar em todas as capitais do Brasil”, avisa.

Se as ruas das grandes cidades estão tomadas por motofretistas e entregadores que atuam por meio de aplicativos, nossas estradas e rodovias, também. Caso da Intelipost, uma plataforma de gestão de transporte de cargas, criada pelo alemão Stefan Rehm.

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A companhia tem mais de cinco mil clientes, entre e-commerces, varejistas, indústrias e operadores logísticos, que são conectados a mais de 350 transportadoras.

O maior controle é, certamente, a cereja do bolo da plataforma, já que o software calcula, em tempo real, o valor do frete e o prazo de entrega, além de fazer a gestão de despacho, rastreamento, auditoria de faturas e reembolso dos Correios.

O alemão Stefan Rehm está por trás da Intelipost. Foto: divulgação.

“Nossa tecnologia facilita toda a troca de informações entre embarcadores e transportadoras, oferecendo aos nossos clientes redução de custos logísticos, visibilidade em tempo real de todas as entregas e opções de integrações personalizadas para facilitar o crescimento de seu negócio”, diz Rehm.

Baseada em tecnologias em nuvem, a Intelipost produz mensalmente cerca de 300 milhões de cálculos de frete. Entre as marcas que utilizam os serviços, destacam-se a Magazine Luiza, O Boticário e Petlove.

No mercado desde 1999, a Petlove (antiga PetSuperMarket) é uma das pioneiras dos pet shops virtuais no Brasil. Naquela época, o veterinário Márcio Waldman já vislumbrava o sucesso do e-commerce, uma vez que a internet chegava com mais força nos lares brasileiros.

Em 2005, as vendas virtuais faziam muito mais sentido que manter um pet shop físico. Pois bem: fechou a loja que mantinha em São Paulo e apostou todas as suas fichas no mercado digital. E fez bem. No ano passado, a receita de sua empresa alcançou R$ 200 milhões, posicionado a marca como a terceira maior deste segmento como um todo no País, atrás apenas da Cobasi e da Petz.

Para se ter ideia do potencial deste mercado, os pet shops virtuais movimentam R$ 2 bilhões, de acordo com o Instituto Pet Brasil. Para fornecer uma logística eficiente, que dê suporte à distribuição dos mais de 15 mil SKUs, a tecnologia garante à operação mais inteligência na reposição e na entrega de mercadorias.

“Temos uma tecnologia por trás de toda a logística, como um sistema de supply para abastecer nossos centros de distribuição, análise preditiva da venda para cada região e abastecimento desses CDs, evitando rupturas na operação”, afirma Waldman.

A tecnologia garante à operação mais inteligência na reposição e na entrega de mercadorias. Foto: divulgação.

De acordo com o empresário, a Petlove é uma empresa de tecnologia voltada ao mercado pet, contrariando a imagem de “uma plataforma de itens pet que usa tecnologia”. Isso porque todos os sistemas são próprios: desktop, mobile, modelo de assinatura, aplicativo, além do processo de supply para abastecer os centros de distribuição e delivery.

“Tudo mudou para melhor com o uso da tecnologia, em todos os aspectos: financeiros, operacionais e comerciais. Ela nos permitiu oferecer uma melhor experiência de compra para nosso cliente, otimizar o gerenciamento do nosso estoque e compra de produtos, e uma melhor interface com as transportadoras”, analisa. A Intelipost ajuda também na conexão com as empresas de transporte. “Atualmente, usamos o sistema de tabela de fretes e a conciliação de valores cobrados”, afirma.

Para o empresário, o Brasil tem tudo para se destacar ainda mais neste setor. Quem sabe, até, derrotar seu maior concorrente, os Estados Unidos. Hoje, o País ocupa a segunda posição no mercado mundial de pet. A entrada de tecnologias pode acelerar a chegada à liderança. “Big data, inteligência artificial e realidade virtual são tecnologias que ainda não estão disponíveis para o mercado pet, porém, não há dúvida, que estarão em breve”, prevê.

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