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Atender os clientes de forma muito mais ágil e, ainda, otimizando custos têm sido os grandes propulsores do avanço da tecnologia neste mercado. E não são apenas as empresas privadas que têm saído na frente

A febre do aplicativo Uber, que chegou ao Brasil há cinco anos, fez surgir novos modelos de negócio inspirados no bem-sucedido plano da companhia americana de transporte. Mas o setor de mobilidade urbana não é o único que tem sido beneficiado. Um dos maiores privilegiados é o mercado de logística, que a Uber também tem atuação.

Nos Estados Unidos, ela disponibiliza um aplicativo exclusivo para caminhoneiros, o Uber Freigth. Ele conecta motoristas de caminhões de carga com empresas ou pessoas físicas que precisam levar um produto de um ponto ao outro.

Por aqui, além do transporte convencional de passageiros, a companhia lançou o Uber Eats, de entrega de refeições. Assim como ela desponta no mundo com suas ações eficientes, outras também têm alcançado seu lugar ao sol seguindo a mesma receita.

Atualmente, há várias que atuam com caminhoneiros e motofretistas. Entre elas, destacam-se a colombiana Rappi e a espanhola Glovo, que entregam mercadorias diversas, desde itens de supermercados até dinheiro em espécie; a Rapiddo, que foi incorporada recentemente pelo iFood; e as brasileiras de transporte de carga Intelipost e CargoX.

Os bagageiros azuis também têm se sobressaído no trânsito, principalmente, em São Paulo. Por trás deles está a brasileira Loggi. Criada em 2013, nosso sistema deficitário e o maior interesse dos brasileiros por tecnologia chamaram a atenção do empreendedor francês Fabien Mendez.

Tecnologia em foco
Fabien Mendez, da Loggi: “Temos planos para operar em todas as capitais do Brasil”. Foto: divulgação.

“Esse conjunto de fatores criou o cenário perfeito para o desenvolvimento de um negócio disruptivo, que une tecnologia de ponta com qualidade de serviços, para oferecer uma experiência única em entregas”, explica Mendez, em entrevista à CWS.

Ao lado do sócio Arthur Debert, Mendez comanda uma das principais operações de logística no País: já são 12 mil motofretistas que atendem clientes como a rede Americanas, Dafiti e Amazon. Para dar ainda mais fôlego à operação, a Loggi recebeu aporte de R$ 400 milhões da multinacional japonesa SoftBank no fim do ano passado.

Segundo Mendez, o investimento será aplicado no desenvolvimento de novas tecnologias, através do reforço de mais especialistas e engenheiros renomados no mercado, entre eles, Davi Reis, recém-contratado pela empresa como CTO.

O esforço poderá posicionar a Loggi em uma privilegiada posição no setor e, até, ajudá-la a solucionar questões que afetam o processo logístico, como a complexidade do território brasileiro. “Temos planos para operar em todas as capitais do Brasil”, avisa, sem entrar em detalhes.

Hoje, a empresa de Mendez atende 15 capitais, atingindo um total de 33 municípios. “Nosso objetivo de médio prazo é conectar o Brasil inteiro com logística inteligente, expressa e de qualidade”, reforça.

A transformação já começou

Apesar de ainda estarmos atrás de outros Países no quesito transformação digital, as chamadas “smart solutions”, segundo ele, vão servir de impulso para que empresários adaptem suas operações à nova realidade do consumidor atual, que preza por agilidade e comodidade.

O fácil acesso à rede também poderá ser um incentivo para os investimentos na área de tecnologia. Com mais pessoas conectadas, os modelos de negócio deverão se enquadrar nesse cenário. Mas há urgência.

Segundo a PHD Ventures, até 2025 todos os habitantes do planeta, que deverão alcançar a marca de 8 bilhões, terão acesso à internet. Sendo assim, o comportamento de compra desses usuários será muito mais digital.

A maior conectividade no Brasil tem atraído o avanço de novas tecnologias, que, para Mendez, vão transformar mercados distintos.

“Chegam nesse momento mais fortemente a Internet das Coisas (IoT), a Inteligência Artificial (AI), a Realidade Aumentada (AR) e a Realidade Virtual (VR) que podem auxiliar não só a logística, mas também diversos setores, tanto no aperfeiçoamento de tecnologias e processos, como se tornando facilitadoras e provedoras de qualidade e eficiência”, opina.

Tecnologia no setor público

A principal empresa de logística do País, os Correios, também tem colocado a tecnologia no foco de suas operações. Ações digitais estão presentes em todos os processos da companhia pública, contribuindo para o avanço da produtividade, gestão de informações e interação com os clientes.

Diariamente, a empresa processa até 2,7 milhões de encomendas, que ganharam o apoio da automação para a separação. Os carteiros também estão equipados com smartphones, que os têm ajudado na entrega de produtos.

“Todos os dias são processadas três milhões de informações, possibilitando aos clientes dados em tempo real, com qualidade e agilidade. Na parte do atendimento, foram desenvolvidos aplicativos para smartphones com o objetivo de facilitar a vida dos clientes, entre eles o Pré-Atendimento e o Correios Celular”, diz a assessoria de imprensa dos Correios.

O primeiro, segundo eles, agiliza a pré-postagem de encomendas nacionais, reduzindo o tempo de atendimento presencial nas agências; enquanto o segundo, permite que o cliente realize recarga, portabilidade da linha, consulte saldo, além de obter histórico de recarga, de consumo de dados, de voz e de SMS.

De acordo com os Correios, a companhia está aberta ao avanço de tecnologias e estuda planos mais ousados em suas operações – e não descarta, inclusive, o uso de drones.

“Certamente um ponto que será analisado é a entrega via drone, assim como a utilização de veículos autônomos e o uso de combustível alternativo, além de um maior grau de robotização.”

Invasão aérea

A onda das aeronaves não tripuladas – os famosos drones – invadiu o mercado brasileiro. Não raro, nos deparamos com essa engenhoca nas alturas, desempenhando duas de suas mais famosas funções: fotos e gravações aéreas.

Em mercados internacionais, no entanto, eles não se limitam ao registro de momentos: representam um papel importante no setor de logística. Para se ter ideia do potencial dessas aeronaves, a consultoria americana Gartner estima que o setor deverá movimentar US$ 11,2 bilhões em 2020.

No Brasil, os drones estão sendo utilizados em processos que envolvem mapas tridimensionais, no acompanhamento de operações policiais de risco, em resgate de vítimas de afogamento e até para calcular o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU).

Mas o uso também tem chamado a atenção do setor de logística, que já dá os primeiros passos para entregas de curta distância. Samuel Salomão, fundador da SMX Systems, tem abocanhado parte desse mercado.

Segundo ele, o sucesso dos drones está associado às suas inúmeras possibilidades. “Principalmente, no setor hospitalar, onde um minuto pode salvar uma vida”, ressalta. E desse mercado, ele entende bem. Sua empresa, que nasceu em 2017, nos Estados Unidos, surgiu exatamente para suprir as necessidades deste setor.

Atento ao avanço da adoção de tecnologias no Brasil, Salomão trouxe a operação para sua terra natal. Além da atuação com hospitais e laboratórios, a indústria e o varejo têm grande representatividade em seu negócio.

Foco na tecnologia
Voo alto: até o fim deste ano, a SMX Systems quer chegar a 30 aeronaves em operação. Foto: Steferson Faria

Em menos de um ano, as quatro aeronaves em operação já contabilizam 33 entregas no interior paulista e três na Paraíba. “Estamos avaliando projetos permanentes no Pará e Amazonas”, avisa. Para isso, a expansão é ambiciosa. “Pretendemos chegar a 30 aeronaves até o final deste ano.”

Para Fábio Miranda, coordenador do curso de engenharia da computação do Insper, os drones, de fato, serão um importante transporte no setor de logística em breve.

“Num futuro não muito distante, as tecnologias 5G permitirão pilotar remotamente um drone em toda uma área metropolitana, com capacidade para transformar os serviços de pequenas entregas”, analisa. “Eles também têm muito potencial em cidades inteligentes: podem fornecer dados em tempo real sobre tráfego e ser usados em segurança pública”, aponta. Ao que parece, veremos muitos deles a partir de agora.

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Redação Autor

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