Na corrida por mais produtividade e inovação, empresas que investem em digitalização saem na frente daquelas que deixam o tema para depois. A transformação digital tem ajudado companhias a garimparem o que realmente importa para seus negócios: os consumidores

Quando fora encontrado ouro em Sutter’s Mill, na Califórnia (EUA), entre os anos 1848 e 1855, milhares de americanos de todo o país saíram de suas cidades em busca de riqueza.

A notícia se espalhou logo e o país foi invadido por pessoas de todas as partes do mundo, que, assim como os donos do território, almejavam prosperidade e sucesso. Este período ficou marcado como Gold Rush (ou corrida pelo ouro).

Hoje, mais de 160 anos depois, os cavalos que serviam para chegar às terras valiosas deram lugar à digitalização. A transformação digital se tornou o transporte da vez para alcançar o ouro.

No mundo dos negócios, estratégias digitais têm feito empresas se destacarem – sobretudo, as que saem na frente e usam o pioneirismo como escudo na guerra da inovação.

Assim como na corrida do ouro, em que os primeiros que chegavam angariavam mais metais preciosos, a corrida pela digitalização garante às empresas visionárias uma fatia muito maior do mercado em que atuam. O ouro de ontem é a transformação digital de hoje. 

“A era digital chegou e cobra de todos um novo posicionamento: mais inovação, agilidade e menos resistência às mudanças”, afirma Marcelo Ciasca, CEO da Stefanini Brasil.

Setores digitalizados

De olho na “mina de ouro”, empresas de diferentes setores estão dispostas a investirem, cada vez mais, em estratégias e ações digitais. Uma dessas ações, em alta em todas as empresas, é a de oferecer canais de comunicação e venda integrados, de modo a proporcionar uma experiência mais fluida e, ao mesmo tempo, completa para seus clientes.

Uma estratégia que tem feito parte da rotina das empresas é a criação de marketplace, abrindo portas também para marcas parceiras – assim como faz gigantes como Amazon e Magazine Luiza.

Cases recentes de sucesso

Um dos setores que mais sofreram durante a pandemia foi, sem dúvida, o de shopping centers. De acordo com dados da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), o prejuízo chegou a R$ 90 bilhões.

O digital se tornou a única vitrine de lojistas que resistiram à crise do coronavírus. “É verdade que todos os mercados foram afetados pela pandemia, mas também trouxe uma grande oportunidade de desenvolvimento para quem soube aproveitar”, diz Renato Floh, Diretor Digital & Omnichannel da Aliansce Sonae Shopping Centers, um dos principais grupos de shopping centers do País.

A Aliansce Sonae soube aproveitar a oportunidade para investir em um novo canal de vendas e de relacionamento com os clientes. Em meio à pandemia, acelerou os passos rumo à transformação digital e tirou do papel um projeto que já vinha sendo estudado há algum tempo: ter um marketplace próprio conectando todos os seus lojistas.

Já o Tip Bank, que desenvolve soluções e produtos financeiros para caminhoneiros, também decidiu apostar em um marketplace, focado em peças e produtos para o setor. No entanto, por não atuar neste mercado, o modelo se concretizou através da parceria com redes varejistas.

“A Tip Loja não é um espaço só de venda. Ela faz parte da nossa política de facilitar a vida daqueles que atuam no setor de transporte”, explica Diorwilton Heusser, CEO do Tip Bank. “Foi um processo minucioso e planejado, que faz muito sentido na visão de longo prazo da nossa estratégia de crescimento.”

A Tip Loja não está sozinha em seu mercado de atuação. Outra gigante das estradas, a Rodobens igualmente estreou seu marketplace visando oferecer uma experiência completa para seus clientes. Além disso, digitalizou sua força de vendas através de ferramentas como Módulo Vendedor.

No portal da Rodobens, produtos como peças, pneus, componentes de chassis e rodas podem ser encontrados, mas, em breve, outros itens do varejo automotivo estarão disponíveis, de maneira progressiva, através da entrada de parceiros.

“É fundamental entender que a digitalização não é o fim, é o meio. Um meio para prestarmos serviços diferenciados e estarmos mais próximos dos nossos clientes e parceiros. Fazemos a digitalização com foco no fator humano”, afirma Gustavo Ribeiro, diretor de negócios digitais da Rodobens.

Já no setor de construção civil, a busca pelo “ouro” também segue acelerada. Um dos cases mais bem-sucedidos neste segmento é o projeto Toca Obra, da francesa Saint-Gobain, um marketplace que reúne centenas de lojistas do segmento de construção civil. A Rede Pró, igualmente, agrega marcas associadas que encontraram, no digital, novas oportunidades.

“É uma visão de futuro, pois as empresas que não estiverem no digital deixarão de existir. Não é algo opcional, é mandatório”, diz Henrique Farjoni, CEO da Rede Pró. A busca pelo ouro, definitivamente, já permeia todos os setores.