O avanço da internet no Brasil tem elevado o número de smartphones em circulação: hoje, há mais celulares inteligentes do que habitantes. O pequeno aparato digital já é, sem dúvida, a principal arma no campo dos negócios

O longa-metragem “2001- Uma Odisseia no Espaço”, dirigido por Stanley Kubrick, ganhou as telas do cinema em 1968, mas, até hoje, 52 anos depois, ainda figura na lista dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos.

A obra cinematográfica ganhou repercussão não apenas por sua qualidade técnica para a época, mas também pela reflexão que propôs ao mostrar a evolução do ser humano e como a tecnologia poderia moldar o futuro. Esses pontos tiveram como base um tema que vivia seu auge naquele período: a corrida espacial, que ocorreu durante a Guerra Fria (1947-1991).

Vale lembrar que a batalha foi além do campo terrestre e o espaço virou cenário de competição entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética. Os dois grupos tinham como objetivo criar a primeira aeronave com tripulantes que chegasse à Lua – o que ocorreu em 1969 com a americana Apollo 11.

Entre cenas que mesclam a terra firme e o espaço, uma das mais emblemáticas é a do macaco quando descobre sua primeira ferramenta, o osso. Embalada pela música icônica “Assim falou Zaratustra”, composta pelo maestro alemão Richard Strauss (1864-1949), o ponto alto retrata a evolução do homem, mostrando sua surpreendente capacidade de criação e progresso.

O osso e o futuro

Após o macaco lançar para cima sua nova arma, a imagem do osso se transforma em uma nave orbitando a Terra. Tanto o osso quanto a nave representam a sobrevivência da espécie e o futuro. O ato de pensar e, assim, descobrir novos instrumentos, serve de analogia para os tempos atuais.

Cenas do filme “2001- Uma Odisseia no Espaço”, dirigido por Stanley Kubrick. Imagens: divulgação

Se o longa-metragem tivesse sido lançado hoje, num período dominado pelos smartphones, certamente a imagem do osso teria como sequência a de um celular. Se a nave era o ápice da criação humana e permitia ao homem ter poder absoluto, agora a arma é o smartphone.

Através do celular, o homem moderno tem acesso a inúmeras possibilidades que, antes, só eram possíveis presencialmente – ou em filmes de ficção científica.

Há alguns anos, seria inimaginável pedir um táxi, uma refeição ou checar a conta bancária através de um pequeno aparelho portátil, não é mesmo? Quanto mais fazer videoconferências ou contar com um aplicativo para traçar a melhor rota de acordo com o trânsito. Hoje, o mundo está na palma da mão. E ficará cada vez mais.

Um levantamento da World Advertising Research Center (WARC) revela que, até 2025, três a cada quatro usuários da internet – o equivalente a 3,7 bilhões de pessoas – terão acesso à rede apenas pelo smartphone.

No Brasil, um relatório da Fundação Getúlio Vargas apontou que há mais celulares inteligentes ativos do que habitantes. Já são 230 milhões de smartphones, contra 208,5 milhões de pessoas.

O número de brasileiros que usam a internet também está em alta. O País, inclusive, está na frente da China, mercado considerado superconectado.

Não por acaso, o celular deverá ser uma das principais ferramentas de compra este ano. “O mobile bateu seu recorde, representando 21% do total do volume do comércio eletrônico em 2019. A perspectiva para 2020 é ainda melhor, chegando a 26%”, afirma Daniel Domeneghetti, CEO da E-Consulting.

HAL, a inteligência artificial do filme

Outro personagem que teve grande destaque no longa-metragem é o computador HAL, com seu avançado software de inteligência artificial. A tecnologia, que comanda a nave através de câmeras espalhadas e serviço de voz, era capaz de fazer reconhecimento facial, interpretar emoções e até raciocinar.

Dizem que a escolha do nome do computador foi muito bem pensada. Apesar do boato nunca ter se confirmado, “HAL” pode ser uma alusão à empresa IBM, já que, alfabeticamente, cada letra corresponde a uma anterior da gigante de tecnologia.

Coincidentemente, nas décadas seguintes, a IBM intensificou seus esforços na construção do Watson, seu bem-sucedido serviço de inteligência artificial. Vale ressaltar que a IA já estava presente na empresa desde a década de 1950, através de um programa de jogo de dama.

De acordo com análise da consultoria de investimentos ARK Invest, o deep learning, um dos pilares da inteligência artificial, poderá criar mais valor que a internet. Entre 1998 e 2018, esta última movimentou, aproximadamente, U$S 10 trilhões no mercado global de ações. A previsão para deep learning é gerar US$ 30 trilhões entre 2018 e 2038, o que mostra o potencial da tecnologia no mercado.

A inteligência artificial, de fato, já nasceu para o homem e está tomando seu espaço no ambiente digital. Hoje, há uma série de serviços baseados em IA em alta, sobretudo, nos smartphones através de inúmeros aplicativos.

Como exemplo, as recomendações de vídeos e produtos das plataformas YouTube e Amazon, respectivamente. Através de dados, elas conseguem identificar as preferência de seus usuários e, assim, sugerir conteúdos e itens com a ajuda da inteligência artificial.

A exemplo delas, as companhias devem enxergar seu posicionamento no mesmo papel do HAL: muito mais presentes no cotidiano de seus clientes, através de ações inteligentes, do que simplesmente fornecedores de produtos ou serviços oferecidos em anúncios. 

“Não conheço uma empresa que não esteja trabalhando com inteligência artificial. Ela será a nova rede elétrica, isso quer dizer que você usará sem perceber, assim como acontece com a eletricidade”, afirma Roberto Celestino, líder de vendas de Watson no Brasil, em entrevista à CWS. “No País, posso afirmar que todos os setores já utilizam”, diz.

Com tantas tecnologias e possibilidades inseridas no smartphone, não há dúvida de que o celular é o osso do homem moderno e deverá permear o mundo dos negócios durante muitos anos. Concorda?