Em um momento de adaptação de negócios à estratégias de inovação, as empresas disputam entre si para oferecer, antes, as melhores soluções para seus clientes. Veja como as startups têm se posicionado neste contexto

Atualmente, as empresas vivem uma verdadeira guerra para criar produtos e serviços disruptivos para seus clientes. Afinal, como já dizia o ditado, “quem chega primeiro, bebe água limpa”. E, de fato, é exatamente isso que acontece com as companhias pioneiras em oferecer soluções e inovações: elas conseguem capturar valor em seus mercados, refletindo nos preços de suas ações.  

Por trás das iniciativas das empresas que buscam ações disruptivas está a estratégia de se aproximar do cliente. “Essa é uma tendência irreversível”, aponta Roberto Kanter, professor dos MBAs da Fundação Getúlio Vargas e diretor da consultoria Canal Vertical. “Por isso, muitas empresas têm seguido este caminho, sobretudo, colocando o cliente no centro de suas iniciativas.”

As startups têm se destacado no mercado exatamente por apresentar soluções que agem na dor dos clientes. Seguindo o mesmo movimento, as empresas incumbentes (tradicionais) cada vez têm mais fôlego na disputa pela inovação.

Esse “cabo de guerra” foi, inclusive, tema de análise do Global Center for Digital Business Transformation (uma parceria entre Cisco e IMD), que conduziu uma pesquisa com mais de mil executivos de 15 segmentos diferentes.  

O objetivo era mapear o quão real era a ameaça das startups e quais eram as forças dos incumbentes para responder a esta ameaça. A pesquisa apontou aquilo que já era por muitos esperado: empresas tradicionais possuem reputação, clientes consolidados e acesso ao mercado para financiamento das inovações.

Porém, ainda que listassem estes atributos como pontos fortes frente às novas empresas, os respondentes demostraram ter a clareza de que elas não eram suficientes para impedir que novas empresas viessem a tomar seus mercados.

O mercado assiste, hoje, a não mais um duelo, mas, sim, uma parceria entre as empresas tradicionais e as startups. Isso se comprova, cada vez mais, nas estratégias de grandes grupos empresariais. O setor financeiro, que teve que rever suas estratégias de modo emergencial por conta da chegada das fintechs, é um dos que apostam na parceria com novos entrantes.

Nomes como Itaú, Bradesco e Santander já têm suas próprias startups e fintechs para acelerar a criação de soluções. Esse tipo de parceria é, de fato, benéfica para o mercado como um todo.

Isso porque as empresas tradicionais têm a capacidade de distribuição, marcas, credibilidade e acesso ao mercado para financiamento; enquanto isso, as novas entrantes têm o senso da inovação, trazem a agilidade de adaptação, rapidez em suas decisões e o foco em sua área de atuação.

Incumbent

“A melhor forma de acelerar a entrega de novos produtos e serviços por parte das instituições está na parceria com empresas especializadas em tratar soluções nichadas, seja em termos de serviços específicos, seja em termos de públicos específicos”, diz Ivó Mósca, superintendente de Open Banking & Pagamentos Instantâneos do Itaú.

Este tipo de parceria ficou ainda mais evidente no Brasil durante a pandemia. Entre maio de 2020 e junho de 2021, o número de acordos desse tipo praticamente dobrou, saindo de 13,4 mil para 26,3 mil. O valor total de contratos fechados subiu de R$ 800 milhões para R$ 2,2 bilhões: um crescimento de 175%, segundo a plataforma 100 Open Startups.

Novas tecnologias

Entre as iniciativas que surgem dessa parceria estão soluções com base em Inteligência Artificial (IA), Machine Learning, Big Data, Analytics, Internet das Coisas (IoT), SaaS (Software as a Service), Realidade Aumentada (AR) e Realidade Virtual (VR). Todas essas tecnologias estão alimentando a transformação digital e a Indústria 4.0, aparecendo como produto/serviço final ou como parte importante dos projetos de mais de 50% das startups.

“A inteligência artificial é a principal tecnologia hoje”, resume Adriano Mussa, diretor acadêmico de Pesquisas e de Inteligência Artificial da Saint Paul Escola de Negócios. “Acredito fortemente que a IA é a nova energia elétrica”, afirma o especialista.

Com o crescimento da digitalização em todos os setores da economia, o mercado de tecnologia está cada vez mais aquecido. De acordo com a 10ª Edição do Estudo Setorial sobre o Mercado de Distribuição de TIC e do Censo das Revendas, realizado pela IT Dataos distribuidores de tecnologia no País estimam faturar R$ 28 bilhões este ano, configurando uma alta de 13,4% sobre o faturamento de 2020

A alta vem ao encontro dos projetos de transformação digital que estão cada vez mais nos orçamentos das companhias, um reflexo dos novos hábitos de consumo dos brasileiros.

O grande desafio das empresas, atualmente, está em encontrar um caminho assertivo para a disrupção, atendendo às reais necessidades de seus clientes e identificando o momento para novas mudanças.

É por isso que as empresas tradicionais, que ainda não têm a inovação em seu DNA, procuram cada vez mais parcerias com startups. Mas não há dúvida de que todas, mesmo as mais tradicionais, se ainda não estão usando, já planejam inserir novas tecnologias em sua operação.

“A empresa que não se digitalizar não será mais competitiva. É preciso olhar para a sociedade e ver como ela tem ditado novos comportamentos e formas de consumo, totalmente ligados à tecnologia”, disse Laércio Cosentino, fundador da Totvs, em entrevista à CWS Insights.