À CWS Insights, Thiago Chueiri, head de vendas do PayPal no Brasil, comenta sobre o crescimento da carteira digital no País, a importância da digitalização da economia e por que estão mirando a aceitação de criptomoedas

Fundada em 1998, a empresa americana PayPal é considerada a primeira fintech do mundo. Especializada em carteira digital, atualmente seu território tem sido cada vez mais “bombardeado” com novas soluções e novos entrantes que também almejam seu lugar ao sol no mercado de pagamentos.

Tratando-se do Brasil, há uma revolução iminente neste setor que promete mudar as estratégias de muitas empresas do mercado, incluindo o PayPal. A companhia já anunciou que vai aceitar pagamentos via criptomoedas em sua plataforma nos Estados Unidos, mostrando que as novas soluções, na verdade, não representam uma ameaça, mas, sim, uma oportunidade.

“O PayPal está bastante confiante com o futuro das carteiras digitais e a popularização do uso de criptomoedas”, diz Thiago Chueiri, head de vendas do PayPal no Brasil. “A explosão do uso de carteiras digitais durante a pandemia indica que o consumidor vai cada vez mais abrir mão do dinheiro físico.”

Dias após a operação americana anunciar a aceitação de criptomoedas, o preço do bitcoin chegou a ultrapassar a marca de US$ 60 mil, segundo dados do Market Watch. “Nos parece uma questão de tempo para que as grandes instituições financeiras passem a adotá-las. A maioria dos grandes bancos está aguardando as moedas digitais se popularizarem, e o mundo todo está migrando para o ambiente digital. Os consumidores estão adotando contacless, NFC, QR Code etc. É para onde estamos indo.”

Período de crescimento e aceleração do digital

O avanço de pagamentos digitais durante a pandemia fez com que o ano de 2020 fosse o mais forte da companhia, que acompanhou uma valorização de mais de 200% em suas ações desde o início da crise do coronavírus. Seu valor de mercado saiu de US$ 112 bilhões para US$ 307 bilhões. Atualmente, o PayPal tem 392 milhões de contas ativas no mundo, sendo 5,5 milhões só no Brasil.

E, ao que tudo indica, esses números devem crescer ainda mais no País. De acordo com a consultoria americana Oliver Wyman, o Brasil está entre os países em que as transações financeiras digitais deverão avançar no cenário pós-pandemia. Um estudo aponta crescimento de 23% entre os brasileiros que pretendem efetuar pagamentos e outras operações digitalmente após a crise.

Em entrevista à CWS Insights em 2019, Paula Paschoal, diretora sênior do PayPal no Brasil, afirmou que o dinheiro em espécie e os cartões físicos estavam com os dias contados. Agora, com a pandemia acelerando a digitalização do setor, os dias foram antecipados.

“O que vimos nos últimos 14 meses, desde que a Covid-19 transformou a vida de todos nós, foi uma corrida para os meios 100% digitais de compras e pagamentos. Houve uma aceleração como nunca vimos antes e temos certeza de que o cenário pós-pandemia não será o mesmo, porque o ecossistema digital é muito mais fácil de ser acessado, mais rápido, seguro e, a cada dia, mais intuitivo”, diz Chueiri.

Leia a entrevista completa com Thiago Chueiri, head de vendas do PayPal no Brasil:

CWS Insights: A companhia é considerada a primeira fintech do mundo e, sem dúvida, foi inspiração para várias empresas de pagamento eletrônico. Como analisa a trajetória de vocês e o mercado atualmente?

Thiago Chueiri: Como pioneira das fintechs, temos assistido, no decorrer dos últimos 20 anos, a uma revolução no setor de pagamentos. Somos parte importante dessa mudança de paradigma e mantemos um espírito de startup, sempre em busca da melhoria de nossos serviços, criando parcerias que nos permitem estar mais próximos de nossos clientes, oferecendo-lhes uma experiência de gestão financeira rápida, fácil e segura. O PayPal nasceu, em 1998, com o intuito de ser uma ferramenta disruptiva. E é essa necessidade de inovar sempre que nos move todos os dias.

CWS Insights: A crise do coronavírus impulsionou o mercado de carteiras digitais?

Thiago Chueiri: Tivemos um ano de 2020 muito forte e um começo de 2021 igualmente robusto. Desde março do ano passado, a plataforma PayPal registrou quase 90 milhões de novas contas em nível global – o que nos levou à marca de mais de 392 milhões de contas ativas.

Aqui no Brasil, em 2020, tivemos um crescimento de cerca de 23% no nosso número de clientes, que hoje são mais de 5,5 milhões. Esses índices são a prova de que a pandemia acelerou muito um cenário de pagamentos que já vinha se transformando: o do uso cotidiano de carteiras digitais. Empresas como o PayPal estão sendo muito importantes para as pessoas neste momento de incerteza e distanciamento social imposto pela Covid-19.

CWS Insights: Em entrevista ao nosso portal, em 2019, a diretora sênior do PayPal Brasil, Paula Paschoal, comentou que o dinheiro em espécie e os cartões físicos estavam com os dias contados. A pandemia vai acelerar o fim de ambos os modelos de pagamento?

Thiago Chueiri: Com certeza este é o futuro: um mundo digital, sem a necessidade que vemos hoje de notas, moedas e cartões físicos. O smartphone substituirá, em algum momento, todos esses itens que ainda são muito importantes para as economias mundiais.

Mas o que vimos nos últimos 14 meses, desde que a Covid-19 transformou a vida de todos nós, foi uma corrida para os meios 100% digitais de compras e pagamentos. Houve uma aceleração como nunca vimos antes e temos certeza de que o cenário pós-pandemia não será o mesmo, porque o ecossistema digital é muito mais fácil de ser acessado, mais rápido, seguro e, a cada dia, mais intuitivo.

CWS Insights: O que o PayPal tem feito para continuar relevante em um mercado que agora apresenta novidades como PIX e Open Banking?

Thiago Chueiri: O PayPal tem a inovação em seu DNA, desde sua fundação. Trabalhamos incansavelmente com as tecnologias mais modernas do mundo para nos mantermos à frente da concorrência – com a ajuda de Inteligência Artificial e Machine Learning. E também temos estabelecido parcerias importantes nos mais de 200 mercados em que atuamos, para levarmos a plataforma PayPal a mais gente no mundo inteiro.

Por isso mesmo, somos entusiastas de todas as opções que tragam mais liberdade de escolha para o consumidor. Concorrência é a chave para a inovação, é a mãe de toda a evolução no nosso mercado. O PIX já se mostrou um sucesso de público e agora precisa ser abraçado pelo varejo, para que mais pessoas possam comprar online.

Já o Open Banking vai permitir que players menores possam disputar mercados até então restritos às grandes instituições, e isso é excelente, porque dá dinamismo ao setor e leva mais produtos e serviços à carteira dos consumidores e, sobretudo, a custos mais baixos.

CWS Insights: Como analisam o Open Banking e quais são suas vantagens e desafios no mercado brasileiro?

Thiago Chueiri: Acreditamos que, no longo prazo, esse impacto será grande, mas também que vai acontecer de forma gradual. Até porque é muita informação para ser assimilada. Mas nós, do PayPal, vemos o Open Banking como uma oportunidade para as fintechs – e somos a mais antiga fintech do mundo.

Thiago Chueiri, do PayPal: “O ecossistema digital é muito mais fácil de ser acessado, mais rápido, seguro e, a cada dia, mais intuitivo”. Foto: divulgação

Claro que os bancos continuarão sendo relevantes como gerenciadores de risco, mas passarão a sofrer uma concorrência mais forte por parte das fintechs, que passarão a ter acesso aos dados. O mercado ficará mais dinâmico, mais concorrido e com mais participantes. E isso é excelente tanto para consumidores quanto para comerciantes.

CWS Insights: A plataforma vai aceitar pagamentos via criptomoedas. Por que abrir para este mercado?

Thiago Chueiri: Por enquanto, este tema está restrito ao mercado dos EUA. O PayPal vem assistindo a um movimento de digitalização dos bancos centrais pelo mundo, e a explosão do uso de carteiras digitais durante a pandemia indica que o consumidor vai cada vez mais abrir mão do dinheiro físico.

O PayPal está bastante confiante com o futuro das carteiras digitais e a popularização do uso de criptomoedas. Nos parece uma questão de tempo para que as grandes instituições financeiras passem a adotá-las. A maioria dos grandes bancos está aguardando as moedas digitais se popularizarem, e o mundo todo está migrando para o ambiente digital.

Os consumidores estão adotando contacless, NFC, QR Code etc. É para onde estamos indo. De qualquer forma, a volatilidade das criptomoedas ainda deve ser considerada. Uma forma de contornar isso e estimular o uso das moedas digitais é fazer uma conversão da cotação da criptomoeda para a moeda local em tempo real, no momento da compra, assim como o PayPal faz hoje. Desse modo, tanto o consumidor quanto o vendedor não saem perdendo com a flutuação do valor.

CWS Insights: Qual é o futuro do mercado de pagamentos?

Thiago Chueiri: Na última década, nosso setor demonstrou a força que tem. Nestes 10 anos, assistimos a um crescimento vertiginoso do e-commerce no País. Saltamos de cerca de R$ 15 bilhões movimentados em lojas virtuais em 2010 para mais de R$ 110 bilhões em 2020 (segundo dados da Kearney).

Em 2010, de acordo com a ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), havia no Brasil pouco mais de 18 mil lojas online; atualmente, segundo pesquisa da BigDataCorp. (realizada em parceria com o PayPal), elas já são 1,4 milhão – crescimento de mais de 7.000%.

Isso significa mais gente conectada, mais gente incluída na roda da economia, mais gente consumindo de forma segura via internet. E isso só foi possível graças à chegada das fintechs. A distribuição física de alguns setores, não apenas o bancário, está em transformação. E isso é sintoma de uma mudança de comportamento das pessoas. Como interagem, como compram, como moram.

As fintechs estão crescendo muito rápido, principalmente em mercados emergentes, como o Brasil, chamando cada vez mais atenção de fundos de capital importantes do Vale do Silício. A questão é a velocidade como estamos trabalhando a digitalização da economia, como um fator preponderante para diminuir a população que ainda não está inserida nesse mercado. O futuro do nosso setor está entrelaçado com a nossa capacidade, como país, de diminuir, radicalmente, o atual índice de desbancarizados, que beira as 45 milhões de pessoas, segundo o Instituto Locomotiva.

CWS Insights: O digital tem beneficiado a relação entre vendedores e clientes? Como?

Thiago Chueiri: O conceito de omnichannel é a bola da vez no varejo. Temos visto muita coisa boa acontecer nesse sentido. Uma situação rotineira, principalmente nestes últimos tempos, é o cliente se comunicar com a loja por meio do WhatsApp.

A figura consultiva do vendedor sempre foi uma força do varejo, que passa confiança ao cliente. Afinal, é uma pessoa bem preparada para tirar dúvidas sobre um determinado produto. O que vemos agora é vendedor e cliente se relacionando, mas via mensagens instantâneas. Segundo a pesquisa “Perfil do E-commerce Brasileiro 2020”, do PayPal em parceria com a BigDataCorp., mais de 68,5% dos 1,4 milhão de e-commerces nacionais se relacionam com os clientes via redes sociais.

Outro fator relevante na experiência de compra é o pagamento. Não adianta ter o melhor produto, treinamento, conquistar o cliente, se, no final, ele não consegue finalizar a compra. O abandono de carrinho é uma das dores do varejista que vem desde o mundo físico. A jornada de pagamento precisa ser fluida, rápida e fácil.

Carteiras de pagamento, como o PayPal, têm endereçado essa dor. Outra solução interessante é o link de pagamento: com apenas alguns cliques, o lojista consegue criar um link de pagamento personalizável, compartilhar por WhatsApp, e-mail ou o canal que o cliente queira.

Essa facilidade permite uma comodidade maior ao cliente e demonstra maturidade da empresa. O consumidor gosta de personalização, flexibilidade e usa esses fatores como critérios de escolha das marcas que consome. Por isso, ser omnichannel é mais do que ter canais integrados, mas uma demanda do cliente que quer comprar como quiser e onde quiser.

CWS Insights: Em tempos de transformação digital, qual é a importância de digitalizar a economia?

Thiago Chueiri: Se depender de empresas como o PayPal, o caminho para a digitalização da economia, com certeza, será encurtado. Não vamos voltar ao que era antes. Não vamos usar mais tanto dinheiro. Acho que todos nós vamos estar mais cientes, também, sobre questões de higiene daqui para frente.

E também acreditamos que veremos as tecnologias contactless se tornarem mais presentes nas lojas – porque já está acontecendo em diversos países do mundo, por causa da crise do coronavírus. A digitalização é benéfica para todos, porque traz mais segurança para o sistema e cria mais opções para as pessoas.

Em um país como o Brasil, em que o smartphone é a principal (quando não única) forma de acesso à internet, investir na inclusão por meio da tecnologia nos parece o único caminho possível. Quanto mais pudermos digitalizar a economia, mais inclusivos seremos. E precisamos ter certeza de que isso acontecerá, porque os pagamentos digitais são muito mais eficientes. Além disso, custam muito menos.

O PayPal espera que este momento se torne um ponto de inflexão na maneira como as pessoas gerenciam e movimentam seu dinheiro, porque os benefícios são enormes para quem mais precisa, nossa economia e nossa sociedade.

 

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