Conheça duas práticas que têm contribuído com as vendas digitais e veja suas principais vantagens e diferenças

Com o comércio online superaquecido, novas modalidades comerciais e logísticas vêm ganhando força e visibilidade entre os varejistas digitais, entre elas o Dropshipping e o Cross docking.

A primeira refere-se a uma prática comercial e logística comum, principalmente, no mercado internacional; enquanto a segunda, trata-se de uma solução que visa acelerar entregas e diminuir o custo do frete.

Consagrado em plataformas de marketplace, entre elas Amazon, Ebay e Magazine Luiza, o Dropshipping, aos poucos, vem se popularizando no Brasil, atraindo lojistas que almejam ampliar seu portfólio de produtos, podendo ou não aumentar seus estoques.

“É uma modalidade que integra 100% o conceito de prateleira infinita”, exemplifica Roberto Kanter, professor dos MBAs da Fundação Getúlio Vargas e diretor da consultoria Canal Vertical.

Na prática, o lojista opera como uma espécie de intermediador entre o cliente e o fabricante ou fornecedor do produto, ganhando comissão pela venda. Quando o consumidor faz o pedido, o lojista repassa ao fornecedor, o qual fica responsável pelo envio do produto ao destinatário final.

Dropshipping-na-pratica

Entre as vantagens desta modalidade, destacam-se a maior rotatividade do estoque de fornecedores; para o lojista, a possibilidade de vender um portfólio diversificado sem a necessidade de aumentar o estoque próprio – ou até mesmo de ter estoque -, e, para clientes, acesso a um leque mais amplo de produtos.

Essa prática vem para preencher uma grande lacuna financeira no varejo. Segundo a empresa de pagamentos holandesa Adyen, o varejo mundial perde anualmente US$ 481,8 bilhões devido à falta de produtos em estoque.

“Não há desvantagens nesse conceito, afinal, o objetivo do varejo é vender cada vez mais e toda modalidade que favorece isso é sempre interessante”, opina o consultor de varejo George Washington Mauro, da GWM.

Gestão fiscal no Dropshipping

Nessa modalidade, o fornecedor fica encarregado de fazer a emissão da nota fiscal. Se você é consumidor de plataformas de marketplace como Amazon e Magazine Luiza pode já ter percebido que a nota fiscal, muitas vezes, vem em nome de terceiros. Isso quer dizer que a transação comercial foi feita sob o conceito Dropshipping.

“Nessa modalidade, os produtos são entregues pelo fornecedor, que emite a NF. Deve haver, portanto, uma relação de confiança entre o lojista e o fornecedor. O varejista precisa ter uma boa estrutura de contatos para não prejudicar sua imagem perante seus clientes”, acrescenta Mauro.

Por dentro do Cross docking

Essa operação logística, igualmente, vem crescendo entre os varejistas que operam com marketplaces. Isso porque reduz os custos logísticos, minimiza extravios de mercadorias e oferece mais agilidade no transporte, ao concentrar todos os produtos em um único lugar.

“É uma grande tendência, visto que o Brasil é um país continental”, opina Roberto Kanter. “Ao ter acesso a centros de distribuição em pontos estratégicos, o lojista tem a possibilidade de centralizar suas encomendas e enviá-las de forma otimizada e inteligente, levando em conta as regiões de maior demanda.”

Cross docking na prática

Como exemplo, se um varejista que está centralizado em São Paulo percebe que tem feito mais vendas no Nordeste, ele pode locar um pequeno espaço em Fortaleza para centralizar as encomendas e, de lá, distribuí-las na região. Sem essa modalidade, cada pedido é enviado separadamente, exigindo mais tempo de entrega e custos maiores para o cliente.

Veja como funciona a emissão da nota fiscal

“Algumas plataformas de marketplace já oferecem centros de distribuição em cidades estratégicas, a fim de receber os estoques de lojistas que fazem vendas de produtos recorrentes, para agilizar o envio dos mesmos. Muitos deles em menos de 24 horas. Nesse caso, o varejista paga uma porcentagem maior à plataforma, mas, como benefício, oferece uma melhor experiência ao cliente”, diz Kanter.

Dropshipping  X Cross docking

No primeiro, o cliente faz o pedido na plataforma e o lojista envia ao fornecedor a compra. O fornecedor faz a separação e o envio do item direto para o destinatário final. A plataforma faz o rastreio do pedido e o envio das informações do trânsito do produto ao cliente. Caso o consumidor tenha algum problema, o contato será com a plataforma.

No Cross docking, o cliente faz o pedido na plataforma, enquanto ela repassa para o fornecedor. O fornecedor envia para o centro de distribuição do lojista parceiro ou dono da plataforma, que faz a checagem do produto e envia para o destinatário final.

Para Roberto Kanter, oferecer novas modalidades comerciais e logísticas é fundamental atualmente.

“O comércio digital avançou cinco anos em cinco meses. Durante a pandemia, mais de 14 milhões de novos consumidores aderiram ao e-commerce. E, mesmo depois da crise do coronavírus, o comércio virtual continuará fazendo parte da vida dos brasileiros. Faz sentindo, então, implementar novas práticas, a fim de melhorar a jornada do cliente”, diz.

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