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Em conversa com a CWS, Guilherme Pereira, diretor de inovação da FIAP, explica a real importância da digitalização e dá dicas para quem quer usar a tecnologia para impulsionar os negócios em 2019

Todo início de ano é a mesma coisa: empresários fazem uma avaliação de como foi o período anterior, quais são as expectativas para o novo e como superar os últimos resultados.

Nesse balanço, uma palavra tem se tornado a “senha” para empresas que querem abrir novas portas e descobrir outros caminhos: tecnologia.

De acordo com dados da consultoria IDC, um em cada três CEOs das três mil maiores empresas da América Latina tem a transformação digital como base de sua estratégia corporativa.

Até 2022, a economia digital deverá representar mais de 50% do PIB da América Latina, com crescimento impulsionado por ofertas, operações e relacionamentos aprimorados. De 2019 a 2022, quase US$ 380 bilhões serão revertidos em gastos com TI.

Em razão do avanço do tema em empresas que operam em diferentes mercados, a CWS conversou com o diretor de inovação da Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP), Guilherme Pereira, que afirmou que a digitalização dos modelos de negócio é um dos grandes pilares estratégicos de inovação nos próximos anos.

Leia a entrevista com Guilherme Pereira:

CWS: Como o digital tem impactado negócios?

Guilherme Pereira: Todos os setores da economia estão sendo impactados pela disrupção digital, seja no nível micro ou macro. As grandes empresas estão competindo com startups que, mesmo sem muita infraestrutura, conseguem gerar valor e criar diferenciais competitivos. O desenvolvimento e a aplicação de novas tecnologias nunca foram tão rápidos quanto hoje e este cenário cria um contexto mais complexo para se fazer negócios. As empresas e os gestores estão buscando novos formatos para gerar e capturar valor, e a digitalização dos modelos de negócio é um dos grandes pilares estratégicos de inovação nos próximos anos.

CWS: Quais são os setores que estão mais engajados com a digitalização?

Guilherme Pereira: Os que mais buscaram realizar sua transformação digital mundialmente foram telecomunicações, mídia e publicidade, finanças e seguros. Mas, outros, como o agrícola e o automotivo, também são mercados que vão passar por transformações mais profundas nos próximos anos. Os modelos de negócio destes setores chegaram em um limite e precisam ser reinventados e, por isso, estão buscando caminhos inovadores para a geração de competitividade.

O mercado quer investir em empresas que estão se digitalizando

Guilherme Pereira, da FIAP. Foto: Divulgação

CWS: Existe algum setor que não será afetado com a transformação digital?

Guilherme Pereira: Em minha visão, não. Todos os setores podem ser atingidos de alguma forma, pois na verdade as pessoas estão cada vez mais inseridas neste contexto. Não imagino que esta inserção seja homogênea, há setores com maior profundidade e outros com menos complexidade, mas estamos vivenciando uma transformação na forma como produzimos, consumimos e distribuímos bens e serviços.

CWS: Muitas empresas adiam projetos digitais pela complexidade por trás dessas ações, no entanto, o atraso tem feito muitas delas ficarem fora do mercado. Quais são as dicas que daria para elas?

Guilherme Pereira: De fato, é um tema sistêmico para a companhia. É necessário avaliar o contexto e a estratégia de negócios para então definir as diretrizes de digitalização de uma empresa. Estas diretrizes vão impactar a forma como pensamos, a visão de futuro e a administração estratégica, assim como as formas de liderança, os processos de gestão e a cultura organizacional. E, por fim, se criam as condições para trabalhar com as alavancas de transformação do modelo de negócio da empresa, como, por exemplo, canais de distribuição, sistemas de aprendizado organizacional, plataformas de negócios etc.

CWS: Há urgência, para todos, no uso de tecnologias?

Guilherme Pereira: Acredito que as empresas vão ter que se adaptar ao nível de conexão e consciência que as tecnologias têm promovido para o público em geral. A balança na relação empresa-consumidor se alterou e agora o usuário tem muito poder para ser livre e fazer escolhas mais conscientes. O relacionamento e a comunicação com os usuários precisam refletir esse novo paradigma.

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