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O mundo está deixando de usar o papel-moeda e aderindo aos métodos de pagamentos eletrônicos e digitais. O seu negócio está preparado para as mudanças?

A tecnologia tem transformado o modo como nos relacionamos, compramos e pagamos por um produto. Assim como o ser humano evolui, o dinheiro também vem evoluindo com a transformação digital. O papel-moeda, que ainda usamos hoje, deverá cair em desuso dentro de alguns anos.

E é questão de tempo para que qualquer transação seja feita digitalmente. Quem faz essa afirmação é a diretora geral do PayPal no Brasil, Paula Paschoal.

“O dinheiro em papel será o primeiro a desaparecer, depois será a vez do chamado dinheiro de plástico, os cartões de débito e crédito. O mundo será 100% online em algum momento”, afirma a executiva, que atua no mercado de carteira digital.

Em países asiáticos, o método de pagamento via smartphone já domina lojas e restaurantes. Impulsionado pelos serviços Alipay e WeChat Pay, das empresas Alibaba e Tencent, o desuso do papel-moeda e de cartões de plástico já é realidade. “Na China, até algumas feiras livres já não aceitam pagamento que não seja feito por QR Code”, reforça Paula. Até pedintes têm dado preferência à esmola digital.

Na edição de junho de 2018 da IMF F&D Magazine, intitulada “The Future of Currency in a Digital World” (O futuro da moeda no mundo digital), a imagem sintetiza a previsão de Paula Paschoal. Nela, o papel-moeda já faz parte do passado, assim como os cartões de plástico. A evolução é representada pelas transações digitais. Foto: International Monetary Fund

A adaptação dos pagamentos à era digital será cada vez mais comum no mercado brasileiro, acompanhando as tendências de países como China e Suécia, que fomentam o pagamento mobile.

Um dos indícios para o crescimento é o número de celulares conectados à internet. Os últimos dados do Google Consumer Barometer revelam que a penetração da internet no Brasil já chega a 69%; enquanto a de smartphones, 67%.

“A utilização do smartphone como meio de pagamento deverá crescer muito nos próximos anos. As transformações já estão acontecendo. No campo dos negócios, vai sobreviver quem ficar em permanente mudança”, analisa Sérgio Bessa, professor da FGV.

As principais instituições bancárias do País já estão adaptando seus serviços para este cenário, com aplicativos e interação digitalizada. A entrada de novas empresas e fintechs, como Nubank e Inter, contribuiu para que as mais tradicionais, como Bradesco e Itaú, acelerassem os passos rumo à transformação digital. Hoje, suas operações e atendimento estão a um clique de distância do usuário, na palma da mão.

Para reforçar as transações mobile, companhias como Rappi Pay, PicPay, Ame Digital, entre outras, se tornam cada vez mais populares entre os brasileiros. Já no varejo online, pedidos através de dispositivos móveis têm cada vez mais peso no faturamento do e-commerce no País.

O último relatório WebShoppers, elaborado pela Ebit/Nielsen, mostra que as vendas no chamado mobile commerce (ou m-commerce) representam 42,8% de todos os pedidos do e-commerce no Brasil em janeiro de 2019. Enquanto o comércio eletrônico total cresceu 12% em 2018, o m-commerce avançou 41% no mesmo período.

“O cenário de pagamentos digitais no Brasil está evoluindo rapidamente. Com quase 209 milhões de habitantes, altas taxas de penetração da internet e de smartphones, há um tremendo potencial de crescimento”, complementa Paula Paschoal.

Pagamentos por aproximação

Outra tecnologia que vem ganhando destaque no País é a NFC (Near Field Communication). Ela possibilita o chamado “pagamento sem contato”.

Trata-se de pagamentos por aproximação, que podem ser feitos com cartão, smartphone ou até mesmo acessórios, como relógio, ao se aproximarem de dispositivos que tenham a tecnologia.

Por não ter a necessidade de colocar a senha na hora de efetuar o pagamento, essa opção pode ser até dez vezes mais rápida do que as convencionais. Ou seja, eliminando filas e garantindo mais comodidade aos clientes.

“O dinheiro em espécie representa um alto custo para a sociedade. E, por isso, nossos esforços são sempre voltados a encontrar formas mais eficientes de realizar pagamentos”, disse João Pedro Paro, CEO da Mastercard no Brasil, em entrevista à CWS.

De acordo com dados da Mastercard, entre 2017 e 2018, as transações sem contato pularam de 130 mil para 1,4 milhão no Brasil. “Estamos caminhando em direção a um mundo em que o dinheiro físico não será mais necessário.”

Outro benefício dos pagamentos digitais refere-se ao aumento das vendas, observa Fernando Teles, presidente da Visa.

“As lojas físicas costumam vender mais quando aceitam essas formas. Nossa pesquisa descobriu que mesmo as empresas que ainda estão nos primeiros estágios da transformação digital poderiam aumentar suas vendas em até 7% ao aceitar pagamentos digitais”, revela Teles.

Pagamento rápido sem cartão e maquininha

Uma nova onda nos meios de pagamento pode chegar ao mercado em breve e substituir as maquininhas de cartão, as chamadas adquirentes. Trata-se do Fast Payment, tecnologia em nuvem que não necessita de bandeiras de cartão ou credenciadora, conectando as contas de pessoas físicas e empresas.

O método eliminará dispositivos físicos e colocará em risco, principalmente, os pagamentos feitos com cartão de débito, que são à vista.

A opção instantânea poderá ser realizada através de tecnologias de transferência de dados, assim como por transações sem contato ou QR Code. O celular, aqui, terá o mesmo papel das maquininhas.

Para Roberto Alonso, professor de marketing da Fundação Instituto de Administração (FIA), o segredo, para todos os negócios, é olhar para o futuro. “O maior erro é acreditar que tudo deve ser como no passado, adotar uma postura muito tradicional ou convencional”, diz.

“O mercado requer mais velocidade. Ignorar as tendências, as tecnologias disruptivas e os novos modelos de negócios pode ser fatal para companhias de todos os portes”, afirma. Em tempos atuais, a digitalização é o único caminho para a evolução.

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Redação Autor

Equipe responsável pela produção de matérias, artigos e curadoria de conteúdos e estudos sobre o universo digital.

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