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A cada dia, novos casos de Covid-19 se confirmam nos quatro cantos do mundo, o que tem feito a população ficar confinada em casa. No Brasil, o isolamento social tende a ficar cada vez mais intenso, abrindo as portas, de vez, para o universo digital. Nesse cenário turbulento, uma ‘contaminação’ é certa: a necessidade de se comunicar e comprar digitalmente irá atingir, rapidamente, os brasileiros

O novo coronavírus, responsável pela doença infecciosa Covid-19, tem colocado em risco também a saúde de muitas empresas, sobretudo aquelas que não se digitalizaram. Nas últimas semanas, a maioria das ações despencou, o dólar bateu seu recorde, e o mercado se viu perdido nesse sobe-e-desce de emoções.

Companhias de tecnologia e digitais, no entanto, sofrem menos o impacto devastador da pandemia. Caso da Amazon e da Domino’s, que vêm crescendo em meio à crise, mesmo que timidamente.

A primeira avançou cerca de 0,17% no último mês; enquanto a segunda, que investe continuamente em sua transformação digital, teve valorização de 1,42% em suas ações na Bolsa de Nova York, no mesmo período. Os dados foram extraídos do site Investing.com na sexta-feira, 20, às 14h15.

O impacto negativo, até agora, tem sido mais agressivo, especialmente, para companhias aéreas e de turismo. No Brasil, o Smiles, programa de milhagem da Gol, caiu 36,90% na última quarta-feira, 18. A segunda maior queda foi da CVC, com 33,57%.

Porém, o mercado varejista também tem sentido na pele os sintomas da Covid-19, sobretudo, as empresas que não se prepararam para enfrentar momentos de crise como este, uma vez que a redução do fluxo de consumidores nas lojas físicas já impacta a economia.

De acordo com levantamento do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo, com base em dados da Boa Vista Serviços, o comércio da capital paulista registrou queda de 16,7% nas vendas no último final de semana (14 e 15 de março) em relação ao mesmo período do ano passado. Em comparação ao fim de semana anterior, a queda foi de 16,3%.

Esse é só o começo das perdas do varejo na cidade. Na última quarta-feira, 18, o governador João Doria (PSDB) determinou o fechamento dos shoppings centers na Grande São Paulo até o dia 30 de abril.

“Essa é uma oportunidade excepcional para empresas que oferecem aplicativos de compra, sites responsivos e apps de economia compartilhada, como iFood e Rappi, que vão trazer para dentro de suas plataformas clientes que ainda tinham receio de adotar métodos de compra digitais”, afirma o professor dos MBAs da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Kanter.“Eu prevejo um crescimento enorme, superior a cinco vezes a utilização atual junto à classe AB e um pouco menor na classe C.”

Em comunicado, a Rappi afirma que já percebeu o avanço no fluxo de pedidos. O aumento foi de cerca de 30%, principalmente em farmácias, restaurantes e supermercados. O mercado americano também vem sentindo o efeito do vírus na procura pelos aplicativos de entrega.

aplicativos em alta

De acordo com a empresa de análise de aplicativos Apptopia, no período de um mês os downloads dos apps das companhias Walmart e Instacart, que fazem entregas de produtos de supermercado e mercearia, praticamente triplicaram.

“Todos os aplicativos de lojas que oferecem a possibilidade de compra com entrega em casa e, ainda, empresas que vendem produtos de primeira e segunda necessidades através de renda recorrente vão nadar contra a maré negativa causada pelo coronovírus”, acrescenta o professor.

O digital, agora, é essencial 

Para Roberto Kanter, em momentos como esse, no qual a relação entre empresas e consumidores pode ficar abalada, é fundamental usar ferramentas digitais para não perder o vínculo com o cliente.

Segundo ele, é importante que as companhias mantenham interações com seus consumidores oferecendo conteúdos relevantes e promoções de produtos, através de ferramentas de comunicação, como os aplicativos de mensagem.

“Mais do que nunca, o digital se tornou essencial. As empresas que investiram nos últimos anos em transformação digital serão as grandes beneficiadas, pois já oferecem soluções de tecnologia mais maduras, com interfaces interessantes e uma ux (experiência do usuário) atrativa para o cliente.”

No entanto, se o seu negócio ainda não se digitalizou completamente, vale apostar em ferramentas já disponíveis para continuar presente no cotidiano dos clientes, afinal, agora, não há outra forma de se relacionar com eles que não seja através de uma plataforma digital.

Como quase tudo na vida, a pandemia também tem seu lado positivo. Nesse caso, do ponto de vista do avanço da inovação. “Diria que o coronavírus vai acelerar a transformação digital do consumidor, imediatamente. A das empresas leva tempo a implementar, mas, sem dúvida, apos o furacão passar, as que estavam segurando o investimento em TD irão ter que investir, principalmente, nos mercados B2B”, afirma Kanter.

E o seu negócio, está imune ao coronavírus ou a saúde está comprometida?

Redação Autor

Equipe responsável pela produção de matérias, artigos e curadoria de conteúdos e estudos sobre o universo digital.

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Um comentário

  • Avatar Vinicius Dias disse:

    O “surto” de pedidos digitais nas plataformas de todo o mundo irá causar uma mudança profunda e permanente na forma como as pessoas compram e vendem produtos. Jornadas digitais serão construídas de forma acelerada e novas estruturas logísticas e financeiras serão testadas. Novos casos de sucesso irão surgir e executivos do mundo inteiro serão pressionados a fazer sua “lição de casa” e encontrar jornadas digitais cada vez mais eficientes. Esse ciclo irá durar até a completa digitalização de todos os estoques disponíveis. Deixo uma pergunta por fim: em quantos anos teremos 95% dos estoques de produtos do mundo disponíveis na nuvem?

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