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Solucionar problemas de logística em um mercado em franco crescimento foi o que impulsionou o alemão Stefan Rehm a se mudar para o Brasil e criar uma plataforma de gestão de transporte de cargas, a Intelipost. Graças à tecnologia, a rotina de varejistas, e-commerces e transportadoras ganhou um novo ritmo

Empreender em um mercado totalmente novo não estava nos planos do alemão Stefan Rehm. Mas, em 2012, tudo mudou para ele. Na ocasião, o então jovem de 25 anos atuava no fundo alemão de venture capital Project A, e veio para o Brasil visitar negócios que compunham o portfólio da empresa – grande parte deles startups.

Durante sua estadia, observou o potencial do mercado de tecnologia e a ineficiência do setor de logística, deparando-se com oportunidades que lhe instigavam a analisar, sob uma nova ótica, o País. Ex-aluno visitante de Harvard com passagem por grandes corporações, entre elas o Google e a IBM, ele confiou no “feeling” que dizia para ficar.

E ficou, de vez, para colocar em prática uma solução para os problemas de transporte de cargas, afinal, a tecnologia era fundamental em um cenário onde o varejo ganhava cada vez mais robustez com a alta do e-commerce.

Para se ter ideia do crescimento naquele período, as vendas virtuais somaram R$ 24,1 bilhões, avanço de 29% em relação ao ano anterior, de acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). A nível de comparação, este ano o e-commerce deverá alcançar R$ 79,9 bilhões – aumento de 232% em relação a 2012.

De acordo com a previsão da ABComm, o comércio eletrônico deverá movimentar este ano R$ 79,9 bilhões. Fonte: Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm)

Rehm, então, aliou-se ao engenheiro brasileiro Gabriel Drummond para a criação da plataforma Intelipost, apresentada ao mercado dois anos depois de sua chegada, em 2014, ano em que o Brasil vendeu 104 smartphones por minuto, segundo a consultoria IDC Brasil.

A boa maré digital ajudou sua empresa a ganhar mercado. Hoje, ela tem mais de cinco mil clientes, entre e-commerces, varejistas, indústrias e operadores logísticos, que são conectados a mais de 350 transportadoras.

O maior controle é, certamente, a cereja do bolo da plataforma, já que o software calcula, em tempo real, o valor do frete e o prazo de entrega, além de fazer a gestão de despacho, rastreamento, auditoria de faturas e reembolso dos Correios.

“Nossa tecnologia facilita toda a troca de informações entre embarcadores e transportadoras, oferecendo aos nossos clientes redução de custos logísticos, visibilidade em tempo real de todas as entregas e opções de integrações personalizadas para facilitar o crescimento de seu negócio”, diz Rehm.

Baseada em tecnologias em nuvem, a Intelipost produz mensalmente cerca de 300 milhões de cálculos de frete. Entre as marcas que utilizam os serviços, destacam-se a Magazine Luiza, Via Varejo, Riachuelo, Renner, O Boticário e a empresa de refrigeração e ar condicionado Dufrio – esta última, segundo Rehm, encabeça a lista de companhias que mais têm obtido resultados com sua plataforma.

De acordo com o empreendedor, um dos maiores benefícios do uso de suas ferramentas diz respeito à conta frete, com soluções que geram equilíbrio nos gastos.

“A Dufrio identificou que a rentabilidade dos produtos de cargas fracionadas vinha sendo afetada pela conta frete – a segunda maior despesa do e-commerce em relação à logística da empresa. Após a contratação da nossa solução, eles obtiveram ganho em mais de 30%, apenas com a reorganização da malha de transportadoras e a criação de novas regras”, afirma.

Em entrevista à CWS, Stefan Rehm analisa o mercado hoje e as possíveis mudanças no futuro:

CWS: O setor de logística no Brasil ainda sofre com ações pouco efetivas?

Stefan Rehm: A logística é um mercado bastante relevante no Brasil (cerca de 10% do PIB), porém ainda apresenta ineficiências e problemas de infraestrutura. Nesse aspecto, a logística fracionada acaba sendo uma parte significativa do total. A necessidade de soluções inteligentes para a carga de fracionados a fim de oferecer custos menores e níveis de serviços personalizados tem aumentado exponencialmente, e a tendência é que seja um diferencial competitivo cada vez mais crítico.

CWS: Como a Intelipost tem contribuído com o setor?

Stefan Rehm: A Intelipost reúne diversas empresas do mercado, pois integra embarcadores, varejistas, transportadoras e outros players da cadeia logística. Logo no início da criação, nos demos conta do grande fluxo de informações que trafega na logística e notamos a existência de uma grande dificuldade na integração entre as empresas atuantes no setor. Fora isso, há o problema da fragmentação dos fornecedores para cobrir as entregas em território nacional e as dificuldades relacionadas à baixa adoção de tecnologia por parte dos atuantes. Por isso, nossa proposta é ajudar as empresas a se conectarem melhor.

Stefan Rehm, da Intelipost: “A Inteligência Artificial irá transformar o setor de logística”. Foto: divulgação.

CWS: Qual é a importância da tecnologia hoje?

Stefan Rehm: É um assunto de alta relevância para todos os envolvidos no setor. As possibilidades de investimentos são variáveis de empresa para empresa, mas todo mundo está investindo nisso. No entanto, ainda falta mais adoção de tecnologias por parte das companhias, mas já temos mudanças significativas no que concerne à roteirização e baixa de entregas via aplicativo. Além disso, vemos o crescimento da automatização dos processos operacionais da cadeia logística.

CWS: Como visualiza os serviços de entrega daqui a cinco anos?

Stefan Rehm: Imagino que eles estejam mais otimizados, com maior rapidez e mais baratos. Uma das grandes apostas em tecnologia para disrupção e inovação no setor é a Blockchain. As perspectivas são boas, mas isso é algo que não depende somente da Intelipost. Ainda é necessário desenvolver e aprimorar o conceito, a tecnologia em si, e principalmente a comunidade, para termos algo mais tangível para o mercado.

CWS: Como imagina que a Inteligência Artificial impactará as soluções da Intelipost?

Stefan Rehm: Certamente, a Inteligência Artificial irá atingir muito a logística. Podemos citar as transformações referentes à roteirização, onde é possível criar rotas de entregas mais inteligentes a partir do cruzamento de dados de trânsito, intensidade de tráfego por região, acidentes, enchentes, entre outros. Sobre a previsão das entregas, por meio da I.A ficará mais fácil informar o consumidor em casos de atrasos ou não cumprimento dos prazos devido à imprevistos, assim como assegurá-lo de que ele receberá sua encomenda no tempo previsto. E por último, a decisão sobre o melhor parceiro transportador para realizar determinado frete, baseando-se em diferentes fatores, como atrasos nas entregas, capacidade, disponibilidade e níveis de serviço.

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Redação Autor

Equipe responsável pela produção de matérias, artigos e curadoria de conteúdos e estudos sobre o universo digital.

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