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Num País onde a conectividade é alta – e a população desbancarizada também -, não é de se estranhar o avanço das fintechs. Uma delas é o aplicativo PicPay, que prevê transacionar R$ 25 bilhões em 2020 – um volume quinze vezes superior ao registrado em 2018. Um dos executivos da companhia comenta sobre a expectativa e o mercado

O Brasil vem se tornando um verdadeiro polo de inovação com suas mais de 12 mil startups. A “invasão” dessas novas empresas é um reflexo da necessidade mais latente de oferecer serviços e produtos disruptivos, que de fato atendam o novo consumidor que está cada vez mais exigente e conectado.

De acordo com dados do Brazil Digital Report, feito pela consultoria McKinsey & Company com apoio da Brazil Silicon Valley, dois em cada três brasileiros já têm acesso à internet, que é mais do que a média mundial.

Não à toa, as fintechs têm se sobressaído com seus serviços digitais e desburocratizados, que vêm caindo como uma luva em um País onde 25% da população economicamente ativa não é bancarizada. “Tendo um celular com câmera e conectado à internet, qualquer pessoa pode ter acesso a serviços financeiros atualmente”, diz Diogo Roberte, head de parcerias do PicPay.

Um dos players de destaque neste cenário, o PicPay atua como carteira digital, permitindo transferência entre usuários, pagamentos online e em lojas físicas também através do sistema QR Code. “Se bancarizar, definitivamente, não é mais uma necessidade no País”, comemora.

Um estudo da consultoria Bain mostra que, no mundo, as carteiras digitais devem chegar a 28% do total de pagamentos realizados no comércio físico em 2022, ante 16% de 2018. No e-commerce, o uso saltará de 36% para 47% no mesmo período.

No Brasil, a pesquisa “Novos meios de pagamento”, realizada em 2018 pela SBVC, mostrou que, nas lojas físicas, pagamentos via aplicativo representavam apenas 4%; enquanto os através de QR Code sequer obtiveram pontuação.

Este ano, a análise aponta o crescimento surpreendente de ambos: as transações via QR Code já chegam a 17%; já as realizadas por aplicativos, 24%.

Novos pagamentos

A boa aceitação dos meios digitais tem feito o PicPay mirar cada vez mais alto. A fintech, que já conta com 12 milhões de usuários em sua plataforma, estima que até julho de 2020 chegará a 20 milhões.

Para atingir a meta, a companhia anunciou a entrada no mercado de crédito, que deve fazer parte do portfólio já no primeiro semestre de 2020. Além disso, a empresa tem investido mais em publicidade para apresentar suas soluções e atrair mais usuários para sua plataforma.

“Nossa projeção é transacionar cerca de R$ 25 bilhões em 2020, um volume quinze vezes superior ao registrado em 2018, que foi de R$ 1,7 bilhão. Hoje, o app transaciona R$ 500 milhões por mês. Queremos provocar uma mudança de hábito para que, no futuro, todos os pagamentos migrem para o celular.”

De acordo o executivo, o otimismo não é exagero, uma vez que os brasileiros estão mais abertos à inovação e aos pagamentos digitais. “Existe um vento favorável no mercado à disrupção e as pessoas querem experimentar novidades”, afirma.

Para o professor Edson Germano, da FIA Business School, além do acesso a serviços financeiros com menos burocracia, as fintechs têm atuado também como uma espécie de “despertador” para outros mercados e instituições que ainda não inovaram.

“O setor financeiro brasileiro já está bem avançado digitalmente, servindo de exemplo, inclusive, para outros países”, opina. “Já para outros setores, elas têm mostrado a importância de se digitalizar. Empresas que não inovam vão ser substituídas por negócios que já nascem digitais, como as startups, que oferecem experiência e serviços melhores aos clientes”, alerta.

A seguir, a entrevista na íntegra com Diogo Roberte, head de parcerias do PicPay:

CWS: Como surgiu o PicPay?

Diogo Roberte: Por volta de 2010, eu e meus sócios (Dárcio Stehling e Anderson Chamon) percebemos uma grande transformação digital acontecer com o uso do smartphone. Nessa época, diversas funcionalidades estavam migrando para o celular, mas não o dinheiro. Os pagamentos já funcionavam bem no e-commerce, mas não no mobile; e o QR Code era subutilizado.

Assim, tivemos a ideia de criar um negócio que atingisse a massa, que fosse disruptivo e fizesse parte de uma transformação relevante. Em 2012, lançamos o PicPay – um aplicativo de pagamentos digitais por meio do QR Code. Hoje, somos a maior carteira digital do Brasil, com mais de 12 milhões de usuários.

CWS: Como a digitalização tem ajudado a população desbancarizada?

Diogo Roberte: Democratizando o acesso ao sistema financeiro e dando ao usuário a escolha de se bancarizar ou não, já que isso não é mais uma necessidade. Tendo um celular com câmera, por exemplo, qualquer pessoa pode baixar e usar nosso aplicativo, sem burocracia. Quem não tem banco coloca dinheiro na carteira digital por meio de boleto bancário ou transferência de outras pessoas.

A partir daí, esse usuário tem uma grande gama de serviços à sua disposição, como pagar qualquer pessoa ou estabelecimento, transferir o saldo para uma conta bancária, realizar doações, pagar boletos e estacionamentos rotativos, venda de produtos e serviços online e receber com cartão de crédito pelo celular, sem maquininha.

Diogo Roberte, do PicPay: Queremos provocar uma mudança de hábito para que, no futuro, todos os pagamentos migrem para o celular. Foto: Paulo Vitale

O PicPay também não cobra por transferências entre pessoas. Em 2018, os usuários do PicPay deixaram de pagar R$ 52 milhões de taxas de TED/DOC. Eles também economizaram 42 anos de tempo indo ao banco. Além disso, o saldo deixado em carteira, a partir de 1 centavo, rende diária e automaticamente 100% do CDI – ou seja, produz lucro superior a qualquer poupança. Esse rendimento obtido pode ser usado para transações com o próprio app ou ser transferido para a conta bancária do usuário.

CWS: Como o PicPay enxerga a “guerra das maquininhas”? Qual é o diferencial de vocês em relação a elas?

Diogo Roberte: Não concorremos com as maquininhas, inclusive, em 2018, um milhão de novos estabelecimentos comerciais começaram a aceitar PicPay como meio para pagamentos também.

Nosso diferencial é que oferecemos aos nossos usuários a opção de receber com cartão de crédito pelo celular, sem necessidade de maquininha. Para isso, não é cobrado aluguel ou mensalidade, apenas uma porcentagem da venda – a menor taxa por transação do mercado, 1,99%. Para quem usa o PicPay Empresas, a taxa varia de acordo com o prazo para recebimento do valor.

CWS: Com a ascensão das transações digitais, o Brasil está preparado em termos de infraestrutura?

Diogo Roberte: Atendemos com qualidade e segurança nossos usuários em vários municípios no País e entendemos que a infraestrutura atual não compromete nossos serviços.

CWS: Vocês têm uma meta audaciosa pela frente. De que forma pretendem chegar lá?

Diogo Roberte: O PicPay tem uma marca forte e é conhecido como um aplicativo inovador. O alcance dessas metas está sustentado em um tripé: conjuntura favorável, expertise e ser uma love brand. Existe um vento favorável no mercado à disrupção e as pessoas querem experimentar novidades.

CWS: Além disso, para acelerar o crescimento, planejam a entrada em um novo mercado.

Diogo Roberte: A linha de crédito do PicPay está em fase de implantação e a previsão é que o serviço seja oferecido aos usuários até o começo de 2020. O crédito será oferecido por meio do PicPay Card. Sem cobrar taxa de adesão, anuidade ou tarifas, o usuário poderá fazer compras e transações pelo aplicativo, mesmo sem ter saldo em carteira ou cartão de crédito de outras instituições cadastrado. O pagamento é feito depois, com fechamento de fatura ao final de um mês. Além disso, as transações darão até 5% de cashback.

Os usuários também poderão receber em casa um cartão físico do PicPay, com a bandeira Mastercard, para ser utilizado nos estabelecimentos que não aceitam pagamentos pelo app.

CWS: Mas oferecendo cartão de plástico não estarão indo contra ao mercado digital?

Diogo Roberte: Ele é apenas uma facilidade, uma extensão física, criado para alcançar os locais que ainda não aceitam pagamentos com QR Code. Mas queremos provocar uma mudança de hábito para que, no futuro, todos os pagamentos migrem para o celular.

CWS: Por que os brasileiros devem aderir ao PicPay em vez de outras carteiras digitais?

Diogo Roberte: Temos as vantagens da inovação, da curva de aprendizado de quase oito anos e da agilidade de uma startup. No mundo, não havia iniciativas similares, nem mesmo atuais gigantes do mercado.

Já temos a questão dos pagamentos resolvida, então podemos levar novas funcionalidades e soluções com muito mais velocidade para os nossos usuários.

CWS: Como enxergam o mercado financeiro no Brasil daqui a alguns anos?

Diogo Roberte: Entendemos que o futuro do sistema financeiro está, definitivamente, nas fintechs.

(Matéria publicada em dezembro de 2019). 

Redação Autor

Equipe responsável pela produção de matérias, artigos e curadoria de conteúdos e estudos sobre o universo digital.

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